Moradores de condomínio em Campos dos Goytacazes enfrentam quatro dias sem abastecimento de água
Os residentes do Condomínio Parque Gaudí, localizado no bairro Novo Jockey, em Campos dos Goytacazes, na região Norte Fluminense do Rio de Janeiro, estão há quase uma semana sem o fornecimento regular de água. A interrupção do serviço essencial já dura cinco dias e afeta aproximadamente 480 apartamentos, causando transtornos significativos para centenas de famílias.
Dificuldades diárias e impacto na rotina das famílias
Sem acesso à água, os moradores enfrentam sérias dificuldades para realizar atividades cotidianas básicas. Tomar banho, escovar os dentes, usar o banheiro e lavar louças tornaram-se tarefas complicadas, exigindo soluções improvisadas e deslocamentos. A situação é particularmente crítica para famílias com crianças pequenas, idosos e pessoas com deficiência, que dependem de condições sanitárias adequadas.
Alguns residentes, como a analista de sistemas Jéssica Dultra, precisaram buscar abrigo temporário em casas de parentes. "Estou na casa da minha sogra com meu bebê de um ano e seis meses. Tivemos que levar água para conseguir lavar louça acumulada e usar o banheiro", relatou ela, destacando o estresse e a inconveniência causados pela falta do serviço.
Disputa judicial com a concessionária Águas do Paraíba
De acordo com o departamento jurídico do condomínio, a interrupção do abastecimento está relacionada a uma dívida antiga com a concessionária Águas do Paraíba, que já está em processo judicial. No entanto, o corte teria sido motivado por duas faturas recentes em aberto. Uma delas já foi quitada pela síndica, restando apenas uma conta com vencimento em 6 de abril deste ano.
O advogado do condomínio, Willian Machado, contesta a medida da concessionária, afirmando que ela é irregular. "O que a concessionária está fazendo é de uma irresponsabilidade sem precedente. Pela lei, eles não podem vincular o corte de água a uma dívida com mais de 90 dias e em processo na Justiça. Estamos falando de centenas de famílias sem água para necessidades básicas", explicou ele.
Ações legais e posicionamento do Procon
O condomínio já entrou com uma liminar na Justiça solicitando o restabelecimento imediato do fornecimento de água, e os moradores aguardam ansiosamente por uma decisão, especialmente preocupados com a possível demora devido aos feriados recentes. Enquanto isso, a concessionária condicionou a religação ao pagamento integral da dívida judicializada, uma postura criticada pelos representantes legais do condomínio.
Em nota oficial, o Procon de Campos destacou que a água é um serviço essencial e sua continuidade deve ser preservada quando a inadimplência não é atual. O órgão enfatizou que cada caso precisa ser analisado individualmente para verificar a natureza do débito e se houve notificação prévia adequada. "A análise individual é necessária para verificar a natureza do débito e se houve notificação prévia adequada", informou o Procon.
Silêncio da concessionária e incerteza para os moradores
A concessionária Águas do Paraíba foi contatada pela reportagem, mas não se manifestou sobre o caso específico do Condomínio Parque Gaudí, nem forneceu qualquer previsão para o restabelecimento do abastecimento. Essa falta de comunicação aumenta a ansiedade dos moradores, que continuam sem uma solução concreta para o problema.
A situação expõe as vulnerabilidades no fornecimento de serviços públicos essenciais e a necessidade de um diálogo mais eficaz entre concessionárias, condomínios e órgãos reguladores. Enquanto a disputa judicial segue seu curso, as famílias afetadas buscam alternativas para lidar com a privação de um recurso fundamental para a saúde e o bem-estar.



