Brasil investe dez vezes menos em saneamento básico que países desenvolvidos, aponta ranking
Brasil investe 10x menos em saneamento que países ricos

Brasil investe dez vezes menos em saneamento básico que países desenvolvidos

O Brasil ainda investe valores significativamente inferiores em saneamento básico quando comparado a nações desenvolvidas, conforme revela o mais recente ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 18 de março de 2026. O estudo aponta que o país aplica pelo menos dez vezes menos recursos neste setor fundamental para a saúde pública e qualidade de vida da população.

Investimento nas grandes cidades está abaixo do necessário

O levantamento, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico referentes a 2024, mostra uma realidade preocupante: mais da metade dos 100 municípios mais populosos do Brasil gasta menos de R$ 100 por habitante ao ano em saneamento básico. Este patamar é considerado insuficiente pelos especialistas para a expansão e universalização dos serviços de água e esgoto.

O investimento médio nas grandes cidades brasileiras gira em torno de R$ 100 por habitante anualmente, enquanto o valor considerado adequado para garantir a universalização dos serviços seria de aproximadamente R$ 220 por pessoa. Na prática, isso significa que o país aplica menos da metade do necessário, o que ajuda a explicar a lentidão histórica na ampliação do acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.

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Problema estrutural que persiste

O diagnóstico reforça um problema estrutural que continua a desafiar o desenvolvimento brasileiro. Mesmo com avanços regulatórios recentes, incluindo o novo marco legal do saneamento, o ritmo de investimento segue desigual e insuficiente, especialmente nos grandes centros urbanos onde se concentra a maior parte da população sem acesso pleno aos serviços básicos.

"A diferença entre o investimento atual e o necessário evidencia o tamanho do desafio que o Brasil ainda enfrenta", analisam os pesquisadores do Instituto Trata Brasil. "Sobretudo na expansão da coleta e do tratamento de esgoto, considerados os principais gargalos do setor, o país precisa acelerar significativamente seus investimentos."

Comparação internacional revela defasagem

Em termos internacionais, o Brasil ainda se mantém no patamar médio da América Latina, mas distante dos países desenvolvidos, que mantêm investimentos significativamente mais elevados e contínuos ao longo do tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de cobertura de saneamento são praticamente universalizados, resultado de décadas de aportes robustos e planejamento de longo prazo.

Embora os modelos de financiamento e gestão sejam distintos entre os países, a diferença de investimento evidencia a necessidade de maior atenção ao setor no Brasil. O relatório destaca que, enquanto nações desenvolvidas priorizam o saneamento como política pública essencial, o Brasil ainda precisa superar desafios históricos de infraestrutura e gestão.

Impactos na saúde e desenvolvimento

A insuficiência de investimentos em saneamento básico tem consequências diretas na saúde pública e no desenvolvimento social do país:

  • Aumento da incidência de doenças relacionadas à falta de saneamento adequado
  • Impactos negativos no desenvolvimento infantil e no rendimento escolar
  • Prejuízos econômicos decorrentes de afastamentos do trabalho por problemas de saúde
  • Desvalorização de propriedades em áreas sem infraestrutura adequada
  • Dificuldades no controle de epidemias e endemias

O estudo do Instituto Trata Brasil serve como alerta para a necessidade de políticas públicas mais efetivas e investimentos consistentes em saneamento básico, setor fundamental para a qualidade de vida da população brasileira e para o desenvolvimento sustentável do país.

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