Carpinteiro ganha dois Fuscas em rifas em 15 dias e coleção vira paixão
Carpinteiro ganha dois Fuscas em sorteios consecutivos

A sorte parece ter um gosto especial por carros clássicos e por Luís Augusto Logarezzi, um carpinteiro e piscineiro de 58 anos, morador de Cravinhos, no interior de São Paulo. Em um evento considerado praticamente impossível, ele foi agraciado com o prêmio principal em duas rifas online consecutivas, levando para casa dois Volkswagen Fusca em um intervalo de apenas quinze dias.

Da desconfiança à dupla vitória

A história improvável começou em dezembro do ano passado. Guto, como é conhecido, comprou um único número, no valor de R$ 70, em uma rifa organizada por um vendedor da capital paulista. A primeira reação, diante de tantos golpes na internet, foi de cautela. "Na hora, fiquei apreensivo. A gente vê tanta coisa na internet, que a primeira coisa que passa pela cabeça é 'será que é verdade mesmo?'", relembra.

Após confirmar a legitimidade, a surpresa se materializou em um Fusca vermelho. O que ninguém esperava, nem mesmo ele, era que a sorte bateria à sua porta novamente tão rápido. Quinze dias depois, o mesmo organizador entrou em contato para dar a notícia inacreditável: "O raio caiu duas vezes no mesmo lugar, você ganhou outro Fusca". Guto só conseguiu responder: "Você tá brincando comigo". Mas era verdade. O segundo carro também era seu.

Uma garagem repleta de histórias

Os dois Fuscas sorteados passaram a integrar uma coleção que já era a grande paixão de Guto. Hoje, sua garagem abriga seis modelos da linha Itamar, a última versão fabricada no Brasil, entre 1993 e 1996. A jornada começou há cerca de dez anos, quando comprou um Fusca para usar no trabalho. A ferramenta de serviço, no entanto, logo se transformou em hobby.

Cada carro tem uma personalidade. Há um modelo prata mantido totalmente original, um branco usado no dia a dia e nas viagens, e três outros que foram profundamente personalizados. O mais chamativo é um Fusca nas cores branco e vermelho – homenagem ao Pica-Pau – equipado com rodas de Porsche, peças que podem valer entre R$ 3 mil e R$ 6 mil.

"Eu já gastei muito mais do que paguei em qualquer um deles", admite o colecionador, que investe em melhorias como vidro elétrico, alarme, sistema start/stop, teto solar e upgrades na suspensão e no som. "Não marco [o gasto], porque a gente não pensa em vender. Eu faço pra mim, faço com carinho".

O Fusca que reconectou um casamento

A paixão pelos carros antigos trouxe uma transformação profunda para a vida pessoal de Guto. Ele e a esposa, Lúcia Maria da Silva, de 67 anos, passavam por um período difícil no relacionamento. "A gente brigava muito, chegamos a nos separar", conta. A virada veio com os passeios e encontros de Fusca.

"Depois que eu comprei o Fusca e a gente começou a viajar, a sair junto, a ir para encontros, tudo de ruim acabou. Nunca mais brigamos. O Fusca juntou a gente de novo", emociona-se Guto. Lúcia, que é sua companheira inseparável nas estradas, também se encantou pelo estilo de vida. Juntos, criaram até um "passaporte" de viagens para registrar destinos, datas e qual carro foi usado em cada aventura.

Aventuras (e um perrengue) na estrada

Com tantos quilômetros rodados, os problemas graves foram raros. O episódio mais marcante aconteceu em uma viagem a Belo Horizonte (MG). Após percorrer 238 km, o Fusca perdeu a quarta marcha. Restavam ainda 274 km pela frente. Longe de casa, o casal consultou amigos mecânicos por telefone e decidiu seguir viagem em velocidade reduzida, usando apenas as três primeiras marchas.

A estratégia deu certo. "Foram quase mil quilômetros andando só de primeira, segunda e terceira, a 60, 70 km/h. Fomos, voltamos, deu tudo certo", relata Guto, destacando que esse foi o único "perrengue" grave em uma década de estrada.

No Dia Nacional do Fusca, celebrado em 20 de janeiro, a história de Guto ilustra como um carro pode ser muito mais que um veículo. "Para mim, o Fusca é a vida. É o que me levou para a estrada, me deu amigos, me deu histórias e me devolveu a minha família", define. Enquanto houver saúde e estrada, sua coleção – e suas histórias – só tendem a crescer.