Uma batalha judicial milionária coloca Sting contra seus antigos companheiros de banda, Andy Summers e Stewart Copeland, em uma disputa que promete reescrever os acordos financeiros do lendário trio The Police. Documentos revelados esta semana mostram que a briga por direitos autorais, que se arrasta desde setembro de 2025, está longe do fim, mesmo com pagamentos já realizados pelo vocalista.
Os valores em jogo na disputa
De acordo com informações obtidas pela BBC, Sting já desembolsou 647 mil libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 4,6 milhões, para Summers e Copeland. Esse valor refere-se a royalties que o cantor admitiu ter deixado de repassar no passado. No entanto, essa quantia é apenas a ponta do iceberg.
Os ex-colegas de banda agora exigem um valor que pode variar entre 2 e 10,75 milhões de dólares. Em uma audiência realizada na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, os advogados da dupla deixaram claro que a cobrança total pode ultrapassar esse patamar, alcançando a impressionante cifra de R$ 57,7 milhões. O montante inclui rendimentos não contabilizados de plataformas de streaming e vendas de cópias digitais.
A raiz do conflito: um acordo de 1977
A base da reclamação de Summers e Copeland remonta aos primórdios da banda. Eles alegam que, em 1977, foi firmado um acordo oral, posteriormente formalizado, que garantia uma compensação por suas contribuições criativas nas gravações. Embora não fossem os compositores principais da maioria dos hits, seu trabalho nos arranjos seria recompensado.
O combinado, conhecido como "taxa do arranjador", estabelecia que cada membro do trio compartilharia 15% da renda gerada pelas canções com os outros dois. A defesa dos músicos argumenta que esse acordo deve ser interpretado à luz do mercado musical atual, dominado pelo streaming, e não apenas sob as regras antigas de venda de discos físicos.
Os argumentos de cada lado
Sting, por sua vez, apresenta uma visão diferente. Sua defesa contesta que os rendimentos provenientes de streaming devam ser considerados como "apresentação pública" e não como vendas diretas. Além disso, ele alega que um acordo mais recente, firmado em 2016, limitava os pagamentos a royalties ligados especificamente "à manufatura de discos".
A equipe legal do astro se mostra confiante, garantindo que o processo movido pelos ex-parceiros não tem perspectiva de sucesso. No entanto, os advogados de Summers e Copeland rebatem, afirmando que o pagamento já realizado por Sting ignorou os juros devidos e não levou em conta as novas fontes de receita da indústria.
O que esperar do desfecho
O caso está programado para ir a tribunal em breve, prometendo um capítulo decisivo na história do The Police. A disputa não envolve apenas grandes somas de dinheiro, mas também a interpretação de contratos em uma era digital que transformou radicalmente a forma como a música é consumida e monetizada.
Enquanto Sting busca proteger sua interpretação dos acordos, Summers e Copeland lutam pelo que consideram sua parte justa no legado financeiro de sucessos atemporais como 'Every Breath You Take'. O resultado deste embate judicial poderá estabelecer um precedente importante para outros artistas em situações similares.