Em uma conversa franca e emocionada, o ator Tarcísio Filho compartilhou detalhes íntimos sobre um dos momentos mais difíceis de sua vida: a perda do pai, o ícone da televisão Tarcísio Meira, para a covid-19 em 2021. A revelação aconteceu durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta terça-feira, 7 de janeiro de 2026.
O Papel Crucial do Apoio nas Redes Sociais
Tarcísio Filho destacou que, em meio à dor, uma força inesperada o ajudou a seguir em frente: o carinho e a solidariedade vindos do público brasileiro. Ele descreveu ter testemunhado uma verdadeira onda de apoio nas redes sociais, que se transformou em um pilar fundamental durante seu processo de luto.
“O que ajudou muito foi essa grande família brasileira”, afirmou o ator. “Eu vi as pessoas se unirem em torno daquilo e me emocionou muito. Eu recebi carinho de todo mundo”, completou, emocionado ao relembrar o episódio.
O Momento Mais Difícil: Dar a Notícia à Mãe
Um dos relatos mais marcantes da entrevista foi o momento em que Tarcísio Filho precisou contar à mãe, a atriz Glória Menezes, sobre a morte do marido. O casal, casado por 59 anos, havia sido internado juntos após ambos contraírem o vírus.
O ator descreveu a cena com extrema sensibilidade, lembrando as restrições impostas pela pandemia. “Ela recebeu a notícia de mim, mas de um cara vestido como astronauta, com máscara, capacete de vidro, pois era o procedimento da época”, detalhou. A dificuldade da situação foi resumida em uma frase: “Mas como você dá uma notícia dessa? Você simplesmente dá. Foi muito difícil”.
Um Luto Coletivo em Tempos de Polarização
Tarcísio Filho também refletiu sobre o contexto social do país na época da morte do pai, marcado por distanciamento social e polarização extrema. Apesar desse clima, ele sentiu um acolhimento genuíno que transcendia as divisões.
Para ele, a perda foi sentida de forma coletiva pelo público. “As pessoas ficaram órfãs e muito preocupadas com a mãe, comigo”, comentou. Ele acredita que a longa trajetória de Tarcísio Meira nas telas, envelhecendo diante dos olhos dos brasileiros, criou um vínculo único. “Quando um foi embora, e ele era muito importante porque envelheceu na tela, as pessoas se sentiram muito órfãs”, concluiu, destacando o legado artístico e afetivo deixado pelo pai.
A entrevista serviu como um testemunho tocante de como o luto, mesmo sendo uma experiência profundamente pessoal, pode ser amenizado pelo apoio coletivo, especialmente em uma era onde a tecnologia, paradoxalmente, aproximou corações em um momento de isolamento físico.