Stephan Nercessian revela decepções políticas e anuncia desfiliação do Cidadania
Stephan Nercessian desfila-se do Cidadania e critica classe política

Ator veterano expõe frustrações e anuncia rompimento com partido político

Stephan Nercessian, aos 72 anos e com uma carreira artística de quase seis décadas, concedeu uma entrevista franca e reveladora à coluna GENTE, onde abordou não apenas seus projetos atuais na televisão, mas também suas experiências e desilusões no campo da política. O ator, que nasceu em Cristalina (GO) e atualmente integra o elenco da novela "Coração Acelerado" da TV Globo, tem uma trajetória que inclui passagens como vereador e duas vezes deputado federal.

Carreira em alta e participações recentes

Além da novela da Globo, Nercessian participou recentemente de produções de sucesso como a série "Fim" (Globoplay, 2023), "Os Donos do Jogo" da Netflix, onde viveu um bicheiro da alta cúpula, e "Ângela Diniz: Assassinada e Condenada" da HBO Max. Atualmente, ele está gravando a quinta temporada de "Arcanjo Renegado", também do Globoplay, demonstrando que sua carreira artística continua em plena atividade.

Críticas à padronização da música brasileira

Durante a conversa, o ator expressou suas opiniões sobre a evolução da música sertaneja e outros gêneros populares. "Mudou a música caipira, passou pelo sertanejo universitário, para a sofrência, entrou a presença feminina... Minha grande preocupação é quando qualquer estilo de música, e o Brasil tem muitos, vem como uma avalanche e sufoca as outras manifestações", afirmou Nercessian.

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Ele foi além, criticando a padronização que afeta tanto o sertanejo quanto o pagode: "O sertanejo ficou meio chato num determinado momento, porque a indústria fonográfica impede o aparecimento de artistas originais em todos os setores. Você vê que o pagode está chato. Escuta o pagode hoje, não identifica mais quem é quem. É padronizado, aquela batida do pagode igual, cantando todo mundo igual, falando igual. O sertanejo ficou assim também".

Romance político com o Cidadania chega ao fim

O ponto central da entrevista foi o anúncio de sua iminente desfiliação do partido Cidadania. "Eu devo sair do Cidadania, que é um partido que vem da origem do Partido Comunista, por uma série de questões", declarou o ator. Ele explicou que, apesar de considerar Roberto Freire, presidente do partido, um grande amigo, discorda profundamente da direção política adotada.

"Roberto Freire voltou a ser o presidente, é meu grande amigo, mas está equivocado politicamente, está querendo levar o partido para o centrão, o que é inadmissível. Nunca mudei de partido, é o partido que mudava de nome, mas agora eu vou, provavelmente, se for por esse caminho, me desfiliar", afirmou Nercessian, deixando claro seu descontentamento com a guinada partidária.

Decepções profundas com a classe política brasileira

O ator não poupou críticas ao cenário político nacional, expressando uma decepção que vai além das questões partidárias. "Estou decepcionado com a baixa intelectualidade no Brasil, a burrice e a falta de estudo acadêmico, o que levaram a uma piora em vários setores da sociedade. E um dos mais atingidos é a classe política, falta um bom debate, uma inteligência, uma discussão política mais profunda", desabafou.

Nercessian ampliou sua análise para um contexto global: "Isso é uma crise no mundo, temos os exemplos mundiais de presidentes que sem a menor noção do cargo. Nossa classe política deu uma piorada muito grande, na minha opinião". Suas palavras refletem uma insatisfação com o que ele percebe como uma deterioração na qualidade do debate e da representação política.

Fim da carreira política: "Não queria deixar de ser artista"

Questionado sobre a possibilidade de uma nova candidatura, o ator foi categórico: "Não, agora não mais (sairia candidato), muita gente me pede, me aconselha, mas não". Ele explicou que sua motivação inicial para entrar na política era diferente da realidade que encontrou.

"Eu não quis nunca mudar de profissão, o meu slogan quando fui duas vezes vereador e deputado federal era: 'política com arte'. Era apaixonado pela arte da política, mas chegou um momento em que vi que tinha que me profissionalizar na política e abandonar minha carreira (artística) de vez", relatou.

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Nercessian criticou a profissionalização excessiva da política: "O político hoje é um profissional. Acaba uma eleição e já está pensando como fazer a outra. Usa todo o sistema dele para preparar a próxima candidatura, virou uma coisa que não era o meu desejo, nunca foi. Não queria deixar de ser artista, mas nunca pedi um voto a ninguém se eu não acreditasse profundamente de que seria capaz de fazer alguma coisa".

Programa GENTE: onde acompanhar a entrevista completa

A entrevista completa com Stephan Nercessian está disponível no programa semanal da coluna GENTE, que vai ao ar toda segunda-feira. Os espectadores podem assistir no canal da VEJA no YouTube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus (canal 2059), LG (canal 126), TCL (canal 10031) e Roku (canal 221), além da versão podcast no Spotify.