Princesa herdeira da Noruega rompe silêncio sobre relação com Jeffrey Epstein
A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, finalmente quebrou o silêncio público sobre suas conexões com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein, em uma entrevista concedida nesta sexta-feira, 20 de março de 2026. A futura rainha norueguesa afirmou categoricamente que foi "manipulada e enganada" durante o período em que manteve contato com o financista americano, expressando profundo arrependimento por ter estabelecido essa amizade.
Revelação de documentos e pressão pública
A declaração da princesa ocorre semanas após a divulgação de milhões de documentos relacionados ao caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Esses arquivos revelaram laços do criminoso sexual com diversas figuras públicas internacionais, incluindo Mette-Marit e importantes políticos, executivos e diplomatas noruegueses. Os documentos mostram:
- Trocas frequentes de e-mails entre a princesa e Epstein entre 2011 e 2014
- Uma hospedagem de Mette-Marit na casa do bilionário na Flórida durante viagem privada em 2013
- Contatos que ocorreram mesmo após a condenação de Epstein por aliciamento de menor em 2008
Entrevista emocionada e contradições reveladas
Durante entrevista de 20 minutos à emissora pública norueguesa NRK, a princesa de 52 anos demonstrou emoção ao descrever como se sentiu manipulada. "Eu me sinto tão manipulada, e quando você é manipulada, você não percebe desde o início", afirmou Mette-Marit, que sofre de fibrose pulmonar, uma doença crônica que pode limitar suas futuras funções reais.
No entanto, os documentos divulgados revelam uma contradição preocupante. Em um e-mail de outubro de 2011, a princesa escreveu que havia pesquisado sobre Epstein no Google e que a situação "não parecia muito boa", acrescentando um emoji de sorriso à mensagem. Questionada sobre isso pela NRK, a herdeira do trono disse não conseguir se lembrar por que escreveu dessa forma, mas garantiu que nunca teria mantido contato se soubesse da gravidade dos crimes de Epstein.
Contexto histórico e posicionamento real
Esta não é a primeira vez que Mette-Marit comenta sobre sua relação com Epstein. Em 2019, ano em que o financista foi condenado pela segunda vez antes de morrer na cadeia, a princesa já havia se desculpado por não ter investigado adequadamente o passado do americano. Na entrevista atual, ela explicou que Epstein usou um amigo em comum para se aproximar dela, explorando sua natureza confiante.
"Ele usou o fato de que tínhamos um amigo em comum, e de que eu sou ingênua. Eu gosto de acreditar no melhor das pessoas. Mas também escolhi encerrar o contato com ele", afirmou a princesa, ressaltando que nunca presenciou nada ilegal durante seus encontros com Epstein.
Apoio familiar e pressão política
A entrevista foi concedida após semanas de intensa pressão pública e política por explicações, incluindo cobranças diretas do primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store. Sentado ao lado da esposa durante a entrevista, o príncipe herdeiro Haakon demonstrou apoio incondicional à companheira.
"Mette é carinhosa, sábia e muito forte. E é por isso que sempre a terei na equipe quando algo difícil acontecer", declarou Haakon, enfatizando que o casamento é tanto para "os dias bons quanto para os ruins".
Futuro na monarquia e considerações finais
Questionada sobre sua continuidade nas funções reais, Mette-Marit afirmou que sua permanência dependerá exclusivamente de sua condição de saúde, embora tenha manifestado o desejo de seguir ao lado do marido em suas obrigações oficiais. A situação coloca em evidência não apenas as relações problemáticas de figuras públicas com Epstein, mas também os desafios enfrentados por membros da realeza em meio a escândalos internacionais.
A revelação dos e-mails e da visita à Flórida entre 2011 e 2014, período posterior à primeira condenação de Epstein, levanta questões sobre o discernimento de figuras públicas ao manterem relações com indivíduos condenados por crimes graves. O caso continua a reverberar nas monarquias europeias e na política internacional, demonstrando como as ações do passado podem retornar para assombrar até mesmo os membros mais respeitados das famílias reais.



