Manoel Carlos: 4 polêmicas que marcaram a carreira do autor de novelas
Polêmicas de Manoel Carlos nas novelas da Globo

O falecimento de Manoel Carlos, no sábado, 10 de janeiro de 2026, aos 92 anos, encerrou a trajetória de um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. Autor de sucessos que abordaram temas sociais importantes, como relacionamentos abusivos, violência contra idosos e alcoolismo, Maneco, como era conhecido, também foi figura central em diversas controvérsias nos bastidores da TV Globo. Esses episódios, que vão desde caos urbano até atritos entre elencos, marcaram sua carreira e culminaram em sua despedida da emissora em 2015.

O caos no Leblon e a defesa do realismo

Uma das polêmicas mais memoráveis ocorreu durante as gravações da novela Mulheres Apaixonadas, em 2003. Para retratar um tiroteio, a produção realizou filmagens em plena terça-feira no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. O cenário foi de caos total: cerca de mil pessoas se aglomeraram no local por volta das 17h, horário de pico com saída de escolas e trabalho.

Foram utilizados mais de 500 tiros de festim, o que assustou moradores e levou a inúmeras ligações para a polícia, com denúncias de um suposto tiroteio real. Associações de moradores e de hotéis do Rio se manifestaram contra a perturbação. Manoel Carlos, no entanto, manteve sua posição, defendendo que a cena era necessária para mostrar que a violência não era um problema restrito apenas às comunidades carentes.

Insatisfação nos bastidores e defesa de atrizes

Em Páginas da Vida (2006), o sucesso frente às câmeras contrastava com a turbulência nos bastidores. Vários atores de renome, incluindo Ana Paula Arósio, Renata Sorrah e Leandra Leal, demonstraram insatisfação com os rumos dados a seus personagens. Na época, circularam rumores de que alguns chegaram a faltar gravações devido à decepção com o desenvolvimento da trama.

Outro foco de tensão foi a atriz Grazi Massafera, então uma novata na teledramaturgia. Alvo de duras críticas internas, a intérprete precisou ser publicamente defendida pelo próprio Manoel Carlos, um episódio que ela mesma resgatou em entrevistas recentes.

Mudanças de rota e conflitos no elenco

A novela Viver a Vida (2009) também foi palco de ajustes e desentendimentos. A personagem Helena, vivida por Taís Araújo, não foi bem recebida pelo público, tornando-se alvo de muitas críticas. Diante da rejeição, a trama passou por uma significativa mudança de foco, e o protagonismo foi gradualmente transferido para a personagem Luciana, interpretada por Alinne Moraes, uma modelo que ficava tetraplégica após um acidente.

Nos bastidores, a relação entre as atrizes Natália do Vale e Letícia Spiller ficou abalada. A veterana Natália reclamou com a produção sobre os frequentes atrasos de Letícia. Os rumores chegaram até a ex-Paquita, que foi tirar satisfações, resultando em uma discussão acalorada e com gritos entre as duas colegas de elenco.

A despedida da Globo e o último folhetim

Em Família (2014) acabou sendo a última novela do autor na TV Globo, e sua trajetória na emissora terminou envolta em críticas. Uma delas questionava a diferença de idade entre as atrizes Natália do Vale (60 anos) e Julia Lemmertz (50 anos), que interpretavam mãe e filha. Manoel Carlos se defendeu citando outros casos semelhantes na televisão, como o de Adriana Esteves e Cauã Reymond em Avenida Brasil.

O folhetim, no entanto, foi um fracasso de audiência. Rumores à época sugeriam que o autor teria abandonado a obra antes do fim, alegando problemas de saúde, e que sua filha, Maria Carolina, teria assumido a reta final da escrita. Esse capítulo marcou o fim de uma era, consolidando a saída de Manoel Carlos da Globo no ano seguinte, em 2015.

A carreira de Manoel Carlos foi, portanto, um mosaico de grande talento criativo e inegável coragem para abordar temas delicados, mas também de momentos conturbados que refletiam a complexidade da produção de novelas de grande porte. Seu legado permanece tanto nos sucessos inesquecíveis quanto nas polêmicas que, de certa forma, também ajudaram a moldar a história da televisão brasileira.