Juca de Oliveira é sepultado em São Paulo aos 91 anos; família e amigos se despedem
Juca de Oliveira é sepultado em SP aos 91 anos

Juca de Oliveira é sepultado em São Paulo aos 91 anos

O corpo do ator e dramaturgo Juca de Oliveira foi sepultado na manhã deste domingo (22), no Cemitério do Araçá, localizado no Centro de São Paulo. O velório ocorreu no Funeral Home, na região da Bela Vista, e se estendeu até o domingo, quando o corpo foi transportado para o cemitério por amigos e familiares do artista.

Última homenagem ao ícone das artes cênicas

Familiares e amigos compareceram para dar o último adeus ao ator, que faleceu no sábado (21), aos 91 anos. A despedida no Cemitério do Araçá contou com a presença de figuras notáveis do meio artístico, incluindo a atriz Irene Ravache, o ator Taumaturgo Ferreira, a filha do ator, Isabela, e sua esposa, Maria Luisa.

O escritor e político Gabriel Chalita, que assim como Juca era membro da Academia Paulista de Letras, também esteve presente para se despedir do amigo. A atriz Miriam Mehler, uma das pioneiras do Teatro de Arena, participou da cerimônia e emocionou-se ao declarar: "Ele era uma pessoa, um ser humano fantástico. É muito doloroso o Juca ter ido embora".

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Legado familiar e artístico

A única filha de Juca, Isabela de Oliveira, destacou que o teatro ultrapassa as gerações da família. "O Juca foi um pai maravilhoso. Eu trabalho com teatro, a gente sempre respirou teatro, eu não tenho palavras para agradecer o meu pai, a gente era muito ligado. E eu tenho uma filha de 4 anos, que era apaixonada por ele, e acho que isso é o maior legado que ele tem, e ela ama teatro, provavelmente ela vai seguir a carreira dele e eu vou ter muito orgulho", afirmou a produtora cultural.

Internação e causa do falecimento

Juca de Oliveira estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março, devido a um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica. Em nota, a família informou que seu estado de saúde era delicado e agradeceu "as manifestações de carinho e solidariedade".

O comunicado oficial destacou: "Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e diretor Juca de Oliveira, ocorrido nesta madrugada de 21 de março de 2026, aos 91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema".

Trajetória de seis décadas nas artes

José Juca de Oliveira Santos nasceu no dia 16 de março de 1935, em São Roque, interior de São Paulo, e iniciou sua carreira no teatro nos anos 1950. Ao longo de sua vida, participou de mais de 30 novelas e minisséries, integrou o elenco de mais de dez longas-metragens e atuou em 60 peças de teatro, muitas das quais também escreveu.

Seu papel mais marcante na televisão foi na novela "O Clone", de Glória Perez, onde interpretou o médico geneticista Doutor Albieri, responsável pela produção de um clone humano. Antes de se dedicar ao teatro, Juca cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP) e trabalhou em um banco, mas optou por seguir sua paixão artística na Escola de Arte Dramática.

Contribuições ao teatro brasileiro

Na década de 1950, Juca fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), atuando ao lado de nomes como Aracy Balabanian. Nos anos 1960, em parceria com Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, adquiriu o Teatro de Arena, um marco cultural durante a ditadura militar. Por sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro, foi perseguido e exilou-se na Bolívia.

Após retornar ao Brasil, estreou na televisão em 1964 com a novela "Quando o Amor É Mais Forte", da TV Tupi. Na TV Globo, debutou em 1973 com "O Semideus". Seu último papel na televisão foi em "O Outro Lado do Paraíso", em 2018, interpretando Natanael. Nos últimos anos, concentrou-se no teatro e no cuidado de sua fazenda de gado para corte.

A trajetória de Juca de Oliveira permanece como um legado inspirador para as artes cênicas brasileiras, marcada por personagens inesquecíveis e uma dedicação inabalável à cultura nacional.

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