Fisiculturista de Itapeva viraliza e rebate ataques: 'Não tenho que agradar ninguém'
Fisiculturista viraliza e rebate ataques: 'Não tenho que agradar'

Fisiculturista de Itapeva viraliza ao mostrar corpo e rebate críticas: 'Não tenho que agradar ninguém'

O que deveria ser um momento de pura celebração e gratidão transformou-se em uma experiência angustiante para a fisiculturista Sthefani Cristine de Campos Santos, de 32 anos, natural de Itapeva, no interior de São Paulo. Após conquistar o primeiro lugar em uma competição de musculação em Campinas, a atleta concedeu uma entrevista que viralizou nas redes sociais, atraindo uma enxurrada de comentários preconceituosos e ofensivos sobre sua aparência física.

Vídeo viral e ataques preconceituosos

Desde sábado (14), o conteúdo já acumula impressionantes 2 milhões de visualizações e mais de 8 mil comentários, muitos deles com mensagens como "sabor mulher", "quer ser homem", "shape ruim" e "ficou muito masculina, nem parece mulher". Sthefani, que também é professora de educação física, revela que participou do evento como um presente de formatura, após concluir sua graduação, mas a experiência positiva rapidamente se tornou traumática.

"Se eu soubesse, não tinha dado [a entrevista]. Não gosto muito de falar, prefiro o anonimato. Eu estava feliz... fui tão atacada, mexeu com o psicológico", desabafa a atleta, emocionada. Esta foi a primeira vez, em mais de quatro anos dedicados ao fisiculturismo, que ela sofreu ataques direcionados especificamente ao seu corpo.

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Resposta firme e escolhas pessoais

Com determinação, Sthefani rebate as críticas: "Para uma mulher chegar em uma musculatura para competir, exigiu muito, tem que querer muito. Eu não tenho que agradar ninguém, sempre vai ter [olhares], mas isso não importa. Foi uma escolha minha [usar hormônios], eu não quero virar homem. Eu escolhi esse físico". Ela esclarece que faz uso de hormônios com acompanhamento médico e não se arrepende da decisão, que considera uma ótima escolha para sua carreira.

Impacto psicológico e apoio recebido

Os ataques não afetaram apenas a atleta, mas também sua esposa e enteada. "No começo, levei na esportiva, mas depois saiu do Brasil, chegou a Portugal. Não foi fácil chegar até aqui. Eu pensei em parar tudo, mas como vou sustentar a minha família? Eu não posso parar", relata Sthefani, que agora busca apoio psicológico para lidar com a situação.

Apesar dos comentários de ódio, a fisiculturista também recebeu uma onda de solidariedade. Familiares, amigos, alunos e moradores de Itapeva destacaram sua dedicação, e muitas mensagens de apoio chegaram de pessoas que nem a conhecem pessoalmente. "Recebi muitas mensagens de pessoas que não me conhecem, mas me apoiaram. Você vê que tem pessoas que admiram seu trabalho. Eu não devo nada para a sociedade", reflete.

Medidas legais e carreira no fisiculturismo

Indignada com a violência virtual, Sthefani afirma que pretende tomar medidas legais contra os autores dos comentários ofensivos. "Estão arruinando minha carreira e a minha vida. Quem vai arcar com isso? Eu não aguento mais", declara com firmeza.

Sua trajetória no fisiculturismo começou na juventude, quando entrou na musculação por não gostar do próprio corpo e acabou se apaixonando pela atividade. "Treinava para salvar a cabeça e salvou o corpo", comenta. Nascida em Curitiba, onde praticou futebol na infância e adolescência, ela se mudou para Itapeva para realizar o sonho de se formar em educação física.

Em dezembro do ano passado, conquistou o diploma e, como presente de formatura, inscreveu-se no campeonato de Campinas. Sua estreia em competições ocorreu em Balneário Camboriú, em 2024, onde também garantiu o primeiro lugar na categoria feminina. "No momento mais feliz da sua vida, acontece isso. Está bem complicado", lamenta sobre a contradição entre a conquista esportiva e os ataques sofridos.

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