Diabão Praddo, recordista mundial, marca 19 anos de sobriedade após décadas de luta
O tatuador Diabão Praddo, reconhecido pelo Guinness Book como o homem com o maior número de implantes em forma de 'chifre' na cabeça do mundo, alcançou um marco pessoal ainda mais significativo: completou 19 anos sem usar drogas. Em entrevista exclusiva, ele revelou a trajetória de superação que incluiu vivência em situação de rua, passagem por clínica de reabilitação e a conquista de estabilidade após anos de recaídas.
Da Cracolândia ao renascimento: uma jornada de transformação
Natural de Santos, no litoral paulista, Michel Praddo – que posteriormente obteve na Justiça o direito de adotar o apelido Diabão como nome oficial – enfrentou desafios profundos desde a adolescência. Aos 17 anos, deixou a casa dos pais e percorreu o Brasil, enfrentando períodos de vulnerabilidade nas ruas de São Paulo, incluindo regiões como a Cracolândia e a Praça da República.
"Mesmo depois de 19 anos limpo, eu me vigio, sonho que estou em uso e até tenho vontade às vezes", confessou o artista, que completará 51 anos em maio. "O meu segundo aniversário me faz lembrar de onde Deus me tirou e o que vivo hoje, sinto muita gratidão", emocionou-se.
Internação decisiva e nova vida em Praia Grande
A virada ocorreu quando dois empresários, sensibilizados por sua história, financiaram sua internação em uma clínica especializada em São Lourenço da Serra, interior de São Paulo. Diabão permaneceu sete meses em tratamento intensivo, período que considera um renascimento. "Na hora escutei Deus falando que era para eu ir ou iria morrer", recordou.
Após a recuperação, estabeleceu-se em Praia Grande, onde reconstruiu a vida profissional e pessoal. Conheceu Carol, hoje conhecida como Mulher Demônia, com quem se casou há mais de uma década. "Estou aí vivo e limpo graças a Deus e a essas pessoas", agradeceu.
Modificações corporais e busca por novos recordes
Enquanto celebra a sobriedade, Diabão mantém o foco em suas paixões artísticas. Com mais de 80% do corpo tatuado e mais de 100 procedimentos de modificação corporal registrados, ele planeja intensificar as transformações. Recentemente, implantou duas peças de silicone cirúrgico na cabeça e estabeleceu a meta de realizar uma modificação a cada sete dias.
Entre as alterações já realizadas, destacam-se:
- Implantes de silicone e transdermais
- Escarnificações (cortes superficiais na pele)
- Remoções de nariz, orelha, mamilo e umbigo
- Bifurcação da língua e tatuagem ocular
- Modificações dentárias e procedimentos estéticos
"Hoje, me chamo Diabão. Não mudei somente o nome e também não mudei só o meu exterior, mudei o interno [...] Fui e fiz coisas que me arrependo e não me orgulho delas. Fiquei quase duas décadas no crack, cocaína e álcool. Dei muito trabalho, tristeza e preocupação", refletiu o tatuador, cuja história inspira pela resiliência e capacidade de reinvenção.
