Carla Perez pede desculpas após polêmica por subir em ombros de segurança negro no Carnaval
Carla Perez pede desculpas após polêmica no Carnaval de Salvador

Carla Perez se pronuncia após acusações de racismo no Carnaval de Salvador

A dançarina e cantora Carla Perez utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, para se pronunciar sobre a polêmica envolvendo sua atitude durante o Carnaval de Salvador. A artista foi acusada de racismo após ser fotografada subindo nos ombros de um segurança negro durante o desfile do trio "Pipoca Doce", no circuito Osmar, em Campo Grande.

O incidente e as críticas nas redes sociais

O episódio ocorreu no domingo, 15 de fevereiro, marcando a última apresentação de Carla Perez à frente do projeto gratuito voltado para o público infantil. Rapidamente, imagens circularam na internet, gerando uma onda de críticas. Uma usuária comentou: "Qualquer pessoa com um mínimo conhecimento de semiótica sabe quão lamentável é essa imagem da Carla Perez". Outra publicação questionou: "Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno carnaval de Salvador?".

Justificativa e reconhecimento do erro

Em sua declaração, Carla Perez explicou que a intenção era realizar uma despedida memorável, condizente com a importância do "Pipoca/Algodão Doce" para o Carnaval da capital baiana. Ela afirmou que subiu nos ombros do segurança em momentos pontuais do percurso para conseguir se aproximar das crianças, devido à sua baixa estatura.

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No entanto, a artista foi enfática ao reconhecer o impacto negativo da cena: "A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada".

Pedido de desculpas e compromisso contra o racismo

Carla Perez lamentou profundamente o ocorrido e pediu desculpas de forma direta e sincera. Ela destacou a consciência sobre a dimensão histórica do Carnaval de Salvador, festa construída majoritariamente por pessoas negras: "O carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feita majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência. Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega. Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas".

Ao finalizar seu pronunciamento, a dançarina reafirmou um compromisso inegociável no combate ao racismo estrutural, agradecendo a compreensão do público e expressando emoção pela despedida do projeto.

Emoção e histórias marcantes na despedida do trio

A última apresentação de Carla Perez no comando do trio "Pipoca Doce" reuniu diversas histórias emocionantes no Campo Grande:

  • Maria Clara, de apenas 2 anos, participou pela primeira vez do Carnaval de Salvador ao lado da tia, Lígia Menezes, que não escondeu a tristeza pelo fim do ciclo.
  • Tainara, de 25 anos, levou a filha Valentina, de 7, para curtir o último ano do desfile, garantindo uma memória especial para a menina.
  • Iudete Costa acompanhou o filho Gael, de 5 anos, na folia, decidindo participar justamente por ser a última oportunidade de ver Carla Perez à frente do projeto.
  • Cíntia e sua filha Carolina Marie, que frequenta o desfile desde os 3 anos, resumiram o sentimento como pura emoção, destacando Carla como "a maior puxadora de trio infantil de Salvador".

Muitos foliões expressaram esperança de que o projeto continue sob nova liderança, com nomes como Lore Improta sendo cogitados para assumir o posto. A despedida, embora marcada pela polêmica, também celebrou anos de alegria e inclusão proporcionados pelo "Pipoca Doce" ao público infantil do Carnaval baiano.

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