Alinne Rosa revela perrengues de Carnaval e fala sobre saúde mental e política na música
Alinne Rosa desabafa sobre perrengues carnavalescos e saúde mental

Alinne Rosa desvenda os bastidores nada glamourosos do Carnaval e abre o coração sobre saúde mental

A maratona de se apresentar nos trios elétricos durante o Carnaval envolve uma série de perrengues e situações inusitadas, longe do brilho visto pelo público. Foi o que revelou a cantora Alinne Rosa em uma entrevista franca e descontraída para o podcast e videocast g1 Ouviu, disponibilizado nesta quinta-feira, dia 5.

Confusão embaraçosa nos bastidores: xixi no copo é realidade

Entre as histórias mais curiosas compartilhadas, Alinne brincou sobre uma cena comum nos bastidores das festas. “Xixi no copo é real. E uma vez eu confundi copo de xixi com copo de energético. Aí senti o puro sabor da Alinne Rosa”, contou a artista, rindo da situação. A conversa completa pode ser acessada no site do g1, no YouTube, no TikTok e nas principais plataformas de áudio.

Beijo histórico com Daniela Mercury e evolução social

Alinne também relembrou um momento marcante de sua carreira: o beijo dado em Daniela Mercury durante uma gravação em 2008. “Nunca olhei pro lado de repressão, nunca liguei. Mas foi um momento marcante demais. Na época saiu em todas as capas de revista. E foi massa”, afirmou. Ela refletiu sobre as mudanças sociais desde então, destacando que, em 2008, a sociedade era mais recatada, enquanto hoje há maior liberdade de expressão.

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Identidade nacional e ativismo político na música

Para o Carnaval deste ano, a cantora prepara um bloco com tema que reforça a identidade nacional, vestindo-se de futebol e verde-e-amarelo. Alinne enfatiza que “sempre tem espaço” para um lado mais político em seu trabalho, mesmo que de forma leve. “Eu tenho um público muito forte LGBTQIAPN+. E gosto muito de estar dentro das pautas deles e oferecer minha voz pra eles reverberarem. Não deixa de ser uma crítica social”, explicou.

Ela completou: “Fazer arte é um ato político. E sei muito bem onde quero chegar, o que quero falar, e meu público entende o que falo. Faço o possível que meu papel permite”.

Depressão e superação: sete anos de luta silenciosa

Em um momento emocionante da entrevista, Alinne abriu o jogo sobre sua saúde mental. Diagnosticada com depressão em 2005, ela sofreu por muito tempo ao “fingir alegria e estar triste por dentro”. Seu novo trabalho veio após sete anos, período em que “fazia o que dava pra fazer” enquanto enfrentava a doença. “Não sei como conseguia fazer músicas de carnaval naquele período”, confessou.

Apesar das dificuldades, ela apostou em canções mais leves, variando do samba-pop ao rock. O disco inclui a música “Wagner Moura”, homenagem ao ator baiano. Alinne contou que a inspiração veio ao ver algo sobre Pedro Pascal e pensar: “a gente tem um cara desses aqui! Esse combo todo de ator maravilhoso, ativista, aí mergulhei na história dele”.

Independência artística e liberdade criativa

A cantora também falou sobre sua carreira independente, evitando a briga pelo hit do Carnaval. “Sou uma artista independente. Vi alguém falando esses dias que fica meio carta marcada. E eu nunca entrei nessa briga por 'N' motivos”, disse. Ela celebra a liberdade para compor, que não tinha na época da banda Cheiro de Amor, mas reconhece os desafios: “É muito bom ter essa liberdade. Por outro lado, falta ‘costas quentes’, uma rede de apoio. Mas criei outra rede”.

Axé como ato de rebeldia e início na música

Criada por um pai evangélico que não permitia ouvir nada “do mundo”, Alinne viu no axé um “ato de rebeldia”. Aos 16 anos, ela saiu de Itabuna pela primeira vez para ir a Salvador, onde se apaixonou pela cidade durante o Carnaval. “Fui atrás do trio elétrico, me perdi de propósito. E eu não tinha um real no bolso, não sabia onde estava hospedada”, relembrou.

O susto veio ao ser convidada para a banda Cheiro de Amor, após cantar apenas meia música em um show. “Fui toda cagada de medo. Mas era essa cara de pau que eu tive que bancar”, finalizou, mostrando a coragem que a levou ao sucesso.

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