O programa Bola Quadrada, da revista VEJA, trouxe uma análise profunda sobre o impacto do poderio financeiro do Flamengo no cenário do futebol brasileiro. Com um orçamento de guerra que beira a marca de R$ 1 bilhão para investimentos, o clube da Gávea não apenas se fortalece, mas redefine as regras do mercado, pressionando concorrentes e inflacionando valores de jogadores e salários.
Estratégia bilionária e o efeito dominó no mercado
Segundo os editores Amauri Segalla e Fábio Altman, a estratégia rubro-negra vai além das contratações. O Flamengo tem poder para "enfraquecer os concorrentes" mesmo quando não fecha negócios. A simples sondagem por atletas valorizados, como Lucas Paquetá – cujo valor foi especulado em cerca de R$ 220 milhões –, força outros clubes a elevarem salários e valores de renovação para segurar seus talentos.
Um exemplo citado foi o do atacante Caio Jorge, do Cruzeiro. A oferta do Flamengo, que teria sido de aproximadamente 32 milhões de euros mais a possível inclusão de Everton Cebolinha, fez o clube mineiro recusar e correr para renovar o contrato do jogador até 2030. Para Segalla, o Flamengo caminha para montar "dois times titulares", com o claro objetivo de dominar o futebol nacional.
Riscos de elencos superlotados e caros
Fábio Altman fez um alerta importante sobre o lado esportivo dessa estratégia financeira. Elencos caríssimos e repletos de estrelas nem sempre se traduzem em sucesso dentro de campo. O redator-chefe lembrou de experiências frustradas no passado, como ataques históricos que não funcionaram e projetos de "galácticos" que fracassaram no Brasil.
Altman destacou que, ao chegar ao Flamengo, o jogador precisa aceitar o risco de virar reserva, dada a altíssima concorrência interna. "O jogador quer jogar", ponderou, afirmando que plantéis muito grandes dificultam a consolidação de um time titular e a criação de entrosamento.
Palmeiras e Cruzeiro na disputa acirrada
A análise também projetou o cenário para 2026, apostando em uma continuação da hegemonia de Flamengo e Palmeiras na disputa por títulos. O interesse do Palmeiras em Thiago Almada foi citado como um movimento que eleva ainda mais o nível da briga no mercado.
O Cruzeiro também aparece como um protagonista financeiro em Minas Gerais. Já o cenário no Atlético Mineiro foi descrito como instável, com foco nas incertezas sobre o futuro de Hulk, cotado para o Fluminense, e um desempenho aquém na estreia contra o Betim.
A conclusão do Bola Quadrada reforça que o dinheiro voltou a ser um protagonista absoluto no futebol brasileiro. No entanto, a simples soma de grandes nomes e cifras milionárias não é garantia de vitórias. A temporada de 2026 será um teste crucial para mostrar se o poder financeiro do Flamengo se consolidará como uma vantagem decisiva ou se trará riscos imprevistos para o equilíbrio esportivo do país.