Seleção brasileira enfrenta crise de identidade e desinteresse a dois meses da Copa
Crise na seleção brasileira a dois meses da Copa

A menos de dois meses da Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira vive uma crise de identidade e popularidade. A amarelinha, que um dia foi símbolo de orgulho nacional, agora enfrenta desconfiança dos torcedores e recorde de desinteresse. Uma pesquisa Datafolha de abril de 2026 revelou que 54% dos brasileiros não têm especial apreço pelo torneio, a pior marca histórica. Em 1994, ano do tetra, esse índice era de 20%; em 2002, do penta, 22%.

A crise dentro e fora de campo

O desempenho da seleção é uma grande incógnita. Após a eliminação nas quartas de final da Copa de 2022 para a Croácia, o Brasil teve quatro treinadores: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, agora, Carlo Ancelotti, o primeiro técnico estrangeiro a comandar a seleção em um Mundial. Ancelotti herdou uma equipe sem grandes estrelas e com pouca identificação com o torcedor brasileiro.

Falta de conexão com o torcedor

Na última convocação de Ancelotti, apenas cinco jogadores atuam no futebol brasileiro: Hugo Souza (Corinthians), Kaiki (Cruzeiro), Léo Pereira e Danilo (Flamengo), e Danilo (Botafogo). A maioria dos convocados joga em ligas pouco acompanhadas no Brasil, como a Arábia Saudita e a Rússia. Isso dificulta a identificação do torcedor com a seleção.

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Além disso, a saída precoce de jovens talentos para a Europa enfraquece o vínculo emocional. Vinicius Jr. deixou o Flamengo aos 17 anos; Endrick e Estêvão, ex-Palmeiras, também foram para o exterior muito cedo. O Brasil exporta promessas antes que se tornem ídolos locais.

A politização da camisa amarela

A camisa amarela, que um dia uniu o país, foi sequestrada ideologicamente. As imagens dos golpistas de 8 de janeiro de 2023 vestindo amarelo chocaram o país. Isso contribuiu para a imagem negativa da seleção, que já sofria com a má gestão da CBF e a falta de títulos.

Ancelotti como esperança

Apesar dos desafios, Ancelotti é visto como a grande esperança. O técnico italiano, vencedor da Champions League, tem a capacidade de extrair o melhor de seus jogadores. No entanto, a seleção não é favorita. O atacante Mbappé, antes de um amistoso contra o Brasil, disse: “Não dá para ser favorito contra uma equipe que tem cinco estrelas na camisa”. Mas a realidade é diferente.

O legado do 7 a 1

A imagem mais forte da seleção nos últimos anos é o 7 a 1 contra a Alemanha, na Copa de 2014. O zagueiro David Luiz pediu desculpas ao povo brasileiro após a derrota humilhante. Aquele trauma ainda ecoa, e a seleção busca se recuperar.

Perspectivas para a Copa

Apesar do cenário pessimista, há esperança. Em 2002, o Brasil embarcou desacreditado e conquistou o penta. Em 1958, a seleção também não era favorita e venceu. Ancelotti pode repetir o feito. O Brasil tem jovens atacantes talentosos, como Vinicius Jr., e a velocidade pode ser uma arma contra equipes mais fortes.

A Copa do Mundo de 2026 será nos Estados Unidos, Canadá e México. O Brasil estreia no grupo X, contra adversários ainda indefinidos. A torcida espera que a canarinho recupere o brilho e traga alegria ao país.

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