A Confederação Brasileira de Surfe, a Surf Brasil, está desenvolvendo um projeto ousado para revolucionar a forma como as competições são realizadas. A entidade planeja testar um torneio promocional em piscina de ondas com um diferencial marcante: a participação ativa do público na definição dos rumos do evento.
Público no comando das regras
O presidente da Surf Brasil, Teco Padaratz, revelou os detalhes durante a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico. Ele confirmou que já existem negociações em andamento com clubes da cidade de São Paulo para sediar a competição experimental.
"Temos um formato escrito, que eu não posso divulgar muito para não entregar o ouro ao bandido (risos), mas queremos testar", afirmou Padaratz, mantendo um ar de mistério sobre os detalhes. "Estamos em negociação com os clubes de São Paulo para um formato de competição bem arrojado, diferente, que vai engajar os fãs. O público vai participar da regra de competição".
O dirigente foi claro ao explicar que a interação não será um simples voto popular para escolher o vencedor. A proposta é mais profunda e dará poder de decisão aos espectadores sobre o formato da disputa.
"Quando se usa o público em qualquer outro esporte, se pergunta quem foi o melhor, quem ganhou... Mas e se perguntar ao público qual regra devemos seguir? Ou o formato de competição? O público pode determinar tudo com este ato, vai 'meter a mão na massa' na competição", completou o bicampeão mundial.
Uma nova modalidade de surfe
De acordo com informações apuradas, a confederação estuda a criação de eventos especiais em piscinas de ondas, com formatos que possam ser atrativos para transmissão por televisões ou plataformas de streaming.
Teco Padaratz, que tem vasta experiência como atleta, ressalta que o surfe em piscinas é essencialmente diferente do praticado no mar. Após extensos estudos com atletas, técnicos e juízes, a conclusão é que se trata de outra modalidade, que exige critérios de julgamento próprios.
"Porque não dá pra usar os mesmos critérios de competição do mar na piscina", explicou. Ele usou o exemplo do skate street, que adaptou suas regras para se tornar mais espetacular e atrair um novo público. "Acho que eles provaram que estavam certos. Aquilo entretém, e acho que o surfe de piscina caminha pra esse lado, onde, talvez, vamos ver uma competição de uma manobra, diferentemente da praia".
O surfe de praia não será abandonado
O presidente da Surf Brasil foi enfático ao afirmar que os novos formatos em piscinas não significam o fim das competições tradicionais no mar. Pelo contrário, ele defende que cada ambiente tem sua magia e seu público.
"O surfe de praia nunca vai morrer", garantiu Padaratz. Ele lembrou que o Comitê Olímpico Internacional escolheu a praia de Trestles para os Jogos justamente pela imprevisibilidade característica do mar. "O último pode ser o primeiro, e isso é a magia do surfe. Muito difícil apontar um favorito. Já na piscina, não. Ali ganha quem treinou mais aquela manobra".
A proposta, portanto, não é substituir, mas expandir. Criar um novo produto esportivo que dialogue com uma geração acostumada à interatividade e que busca entretenimento dinâmico, enquanto se preserva a essência e a tradição do surfe nas ondas do oceano.