Capela de São Pedro em São Luís apresenta desgaste estrutural antes de festa que atrai 800 mil
Capela de São Pedro com desgaste estrutural antes de festa em São Luís

Capela de São Pedro em São Luís enfrenta deterioração estrutural às vésperas de grande festividade

A capela de São Pedro, localizada no bairro Madre Deus, em São Luís, apresenta sinais alarmantes de desgaste estrutural a menos de dois meses do tradicional festejo que reúne anualmente mais de 800 mil pessoas e recebe grupos de Bumba-meu-boi. A comunidade católica local já acionou as autoridades competentes, mas até o momento não obteve respostas concretas sobre as demandas de reparos urgentes.

Problemas estruturais detalhados pelos fiéis

De acordo com relatos dos frequentadores da capela, a situação é preocupante. A porta de acesso à escadaria é mantida aberta apenas com o auxílio de uma corda improvisada, evidenciando a precariedade das instalações. Devido ao peso excessivo e à ação constante das chuvas, um dos lados da estrutura já cedeu parcialmente, o que levou à interdição do local por cinco meses no ano passado.

Os fiéis também destacam problemas no telhado. A lona que cobre o teto foi substituída em 2021, mas a comunidade afirma que a qualidade do material atual é inferior à anterior, que durou aproximadamente duas décadas sem apresentar falhas significativas. Atualmente, o acrílico utilizado para vedar o telhado está se soltando progressivamente, e a estrutura metálica que sustenta a lona também apresenta sinais de deterioração.

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Reparos realizados pela comunidade e vulnerabilidade aumentada

Desde 2023, a própria comunidade já realizou três reparos emergenciais na estrutura, com custos variando entre R$ 1.200 e R$ 2.000, todos arcados pelos membros da igreja. Segundo a fiel Tarcila de Jesus, as fragilidades estruturais transformam o ambiente em alvo fácil para ações criminosas.

"A estrutura da nossa igreja, devido à fragilidade em que se encontra, tanto pelas avarias em pontos como janelas, portas e a própria lona, facilita invasões, tornando o ambiente mais vulnerável a esse tipo de situação, como vandalismo e furto", afirmou Tarcila.

A vulnerabilidade foi comprovada na prática na semana passada, quando a capela foi alvo de dois furtos em um intervalo de apenas três dias. Como medida paliativa, os fiéis instalaram câmeras com monitoramento 24 horas na sexta-feira (17), ao custo de R$ 225, valor integralmente pago pela comunidade.

Impacto emocional e contradição cultural

A fiel Giovana Almeida descreve o impacto psicológico da situação: "É muito triste ver como essa fragilidade na estrutura acaba deixando a capela vulnerável, despertando em nós, fiéis, uma sensação de tristeza, de insegurança e até de incapacidade".

Esta realidade contrasta fortemente com a importância cultural do espaço. Em novembro de 2025, a celebração recebeu o título de Patrimônio Cultural e Material do Maranhão. No entanto, segundo a comunidade católica, fora do período festivo, o local apresenta claros sinais de abandono, com mato alto e lixo espalhado pelo terreno.

Para a antropóloga Marilande Martins Abreu, é necessário refletir profundamente sobre este descaso: "Nós devemos nos questionar por que esse abandono desses espaços de fé, de devoção, mas também de festa e de alegria, que estão ligados ao povo, às classes trabalhadoras e à cultura de comunidades de periferia e quilombolas".

Falta de intervenção oficial e respostas das autoridades

Segundo Kauana Barata, representante da comunidade, em agosto do ano passado, engenheiros e técnicos da Agência Executiva Metropolitana (AGEM) realizaram medições na capela, mas nenhum projeto de intervenção foi apresentado posteriormente. Ela destacou que tanto a construção original da capela quanto a última reforma significativa foram realizadas pelo Governo do Estado.

"A comunidade abre as portas para receber toda essa movimentação, essa festa belíssima que todos nós conhecemos, e estamos procurando o Estado para saber quem pode nos dar esse apoio na estrutura. A última reforma foi feita pelo governo do Estado, assim como a construção da capela", afirmou Kauana Barata, coordenadora da comunidade católica de São Pedro.

Diante das demandas, as autoridades apresentaram diferentes posicionamentos:

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  • Agência Executiva Metropolitana (AGEM): Informou que vai encaminhar uma equipe ao local para verificar as demandas e afirmou que não foi oficialmente notificada sobre os problemas estruturais.
  • Corpo de Bombeiros: Confirmou que já realizou avaliações estruturais no local em ocasiões anteriores e que o relatório foi encaminhado às autoridades municipais competentes para as intervenções necessárias.
  • Prefeitura de São Luís: Afirmou que não recebeu notificações sobre as condições estruturais da capela e que a manutenção do espaço tem sido executada pelo Governo do Estado do Maranhão.
  • Secretaria de Estado da Cultura (Secma): Informou que está à disposição para prestar orientação técnica quanto à reforma e às intervenções necessárias.

Enquanto isso, a comunidade continua aguardando uma solução definitiva que garanta a segurança dos fiéis e preserve este importante patrimônio cultural maranhense.