Uma nova polêmica envolvendo cultura e política tomou conta das redes sociais nesta segunda-feira. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) disparou uma série de críticas contra o ator Wagner Moura, logo após a vitória do baiano no Globo de Ouro.
O prêmio e a reação imediata
Na noite de domingo, 11 de janeiro de 2026, Wagner Moura subiu ao palco para receber o prêmio de melhor ator em filme de drama. A honraria veio por sua atuação em O Agente Secreto. Poucas horas depois, a conquista internacional foi alvo de ataques virulentos do parlamentar.
Em uma publicação na rede social X, Mario Frias, que foi secretário de Cultura no governo de Jair Bolsonaro e também é ex-ator, não poupou palavras. Ele acusou Wagner Moura de ser "sustentado por um Estado corrupto" e de apoiar ditaduras, citando nominalmente os regimes de Maduro, Chávez e Lula.
Os pontos do ataque político
O post de Frias foi acompanhado de um vídeo com o discurso de agradecimento de Moura. No texto, o deputado desenvolveu seus argumentos, misturando crítica artística com acusações políticas.
Entre as afirmações, Frias disse que o ator "discursa contra o fascismo, mas se cala" sobre ser financiado por um estado que ele classificou como violento e roubador dos pobres. Ele também atacou o que chamou de "comunismo caviar", sugerindo que Moura critica o capitalismo enquanto usufrui de liberdades nos Estados Unidos.
Outro ponto levantado foi a suposta "autopromoção" usando o nome do Brasil no exterior, ignorando, segundo Frias, a existência de presos políticos no país. O tom foi de confronto direto ao discurso progressista do ator.
A defesa de Bolsonaro e a 'guerra cultural'
Em uma segunda publicação, Mario Frias mudou ligeiramente o foco para defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que o político segue "pautando o debate político mesmo em silêncio há meses", uma clara referência ao discurso de Moura e do diretor Kleber Mendonça Filho na cerimônia.
Frias disse que a gestão Bolsonaro buscou "democratizar e moralizar" a distribuição de recursos do Ministério da Cultura. Ele finalizou com um chamado à batalha ideológica: "A guerra cultural precisa ser enfrentada, e Jair Bolsonaro foi o único que teve coragem, patriotismo e disposição para travar essa batalha em defesa do povo brasileiro".
A polêmica evidencia o fosso entre setores da cultura e a visão de parte da classe política brasileira. Enquanto Wagner Moura celebra um dos maiores prêmios de sua carreira no exterior, sua figura e seu discurso se tornam alvo no front doméstico da chamada guerra cultural, mostrando que as divergências ideológicas continuam a dominar o debate público.