Paulinho da Costa: percussionista carioca ganha estrela na Calçada da Fama
Paulinho da Costa ganha estrela na Calçada da Fama (13.05.2026)

O percussionista carioca Paulinho da Costa recebe nesta quarta-feira (13) uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood (Hollywood Walk of Fame), em Los Angeles (EUA). A cerimônia ocorre às 11h30 do horário local (15h30 em Brasília). Paulinho participou de gravações de centenas dos artistas mais famosos do mundo desde os anos 1970, como Madonna, Michael Jackson, Elton John, Miles Davis, Stevie Wonder e Earth, Wind & Fire. Também tocou em trilhas sonoras de filmes de sucesso global como 'Os Embalos de Sábado à Noite' (1977), 'Dirty Dancing' (1987), 'Purple Rain' (1984) e 'Jurassic Park' (1993).

Detalhes da homenagem

A estrela de Paulinho ficará na Vine Street, perto do prédio da lendária gravadora Capitol Records. Com a homenagem, ele se torna a primeira pessoa nascida no Brasil a ganhar uma estrela. A cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda, ícone internacional do samba e da cultura brasileira, também tem uma estrela, mas ela nasceu em Portugal, vindo para o Brasil aos 10 meses de idade. Criada em 1960, a calçada homenageia personalidades do entretenimento com estrelas de bronze incrustadas em placas de terrazzo rosa. Hoje são mais de 2.800 estrelas, distribuídas em seis categorias: cinema, música, TV, rádio, teatro e esportes. A inauguração da estrela será transmitida ao vivo pelo site da organização da Calçada da Fama.

Emoção e reconhecimento

Em entrevista ao g1, Paulinho admitiu que o momento é de muita emoção: "A expectativa está grande. Fico muito feliz com a homenagem. É um reconhecimento não só do talento brasileiro, mas também do profissionalismo e ética que marcaram minha carreira. Tô até com um friozinho na barriga!" Conta ele, que mora em Los Angeles com a mulher, Arice da Costa – também carioca, tricolor e uma grande parceira em sua carreira.

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Cria de Irajá e da Portela

Paulinho é carioca, e sua relação com a cidade está presente no “molho” que levou ao som dos popstars. O flamenguista Paulinho, de 77 anos, cresceu jogando bola nas ruas de seu bairro – onde também viveram Nei Lopes e Zeca Pagodinho – e batucando em tudo o que podia. Paulinho moldou seu som em rodas de música na Festa da Igreja da Penha, também na Zona Norte, antes de virar ritmista da ala jovem da Portela, onde chegou a desfilar no carnaval. Também ampliou sua experiência percussiva tocando em terreiros de candomblé do Rio. “Não tem dúvida que estou levando um pouco do Irajá e da Portela pra Hollywood. Levo toda minha trajetória para a calçada!”, disse o artista ao g1. Entre os anos 1960 e 1970, após começar a se apresentar profissionalmente no Brasil – inclusive com a amiga Alcione – Paulinho fez apresentações com a banda de Sérgio Mendes e foi trabalhar com o músico nos Estados Unidos, onde se radicou.

Cuíca em 'Thriller' e agogô em 'Billie Jean'

Paulinho trouxe o "molho" da música brasileira para algumas das músicas mais famosas do pop mundial a partir dos anos 70. Um exemplo disso ocorreu em 82, durante as gravações do álbum "Thriller", de Michael Jackson, o mais vendido de todos os tempos, quando decidiu incluir sons de cuíca na introdução de “Wanna Be Startin’ Somethin”. A cuíca foi introduzida no Rio de Janeiro por pessoas trazidas da África para serem escravizadas na cidade entre os séculos 18 e 19 e, posteriormente, ganhou espaço no samba. Com Michael, entre outros sucessos, Paulinho também gravou "Billie Jean", faixa em que usou uma cabaça metálica e um agogô – outro instrumento com origem africana e muito usado em vários ritmos brasileiros. Entre as soluções geniais de Paulinho em faixas famosas, ficaram célebres também os usos de uma campana em “Serpentine Fire” e de colheres em “Brazilian Rhyme”, ambas músicas do Earth, Wind & Fire, banda com a qual também colaborou no sucesso "September".

Documentário na Netflix

Relatos sobre os bastidores dessas gravações e a trajetória de Paulinho viraram o documentário “The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa”, lançado este ano pela Netflix. O filme reúne depoimentos de estrelas como George Benson e Quincy Jones, que morreu em 2024, além do reencontro de Paulinho com músicos do Earth, Wind & Fire, da volta do percussionista ao Rio e do reencontro com a Portela, em 2015, entre outras memórias.

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