Casarão tombado dos anos 30 em Campinas vira polo cultural após restauro
Casarão dos anos 30 em Campinas vira polo cultural

Um casarão histórico da década de 1930, localizado no Centro de Campinas (SP), passou por um processo de restauração e agora funciona como a nova sede do centro cultural Fêmea Fábrica. O projeto, intitulado “Arqueologias de um Casarão”, tem como objetivo recuperar tanto a estrutura física quanto a memória do imóvel tombado, situado na Rua Barão de Jaguara.

Detalhes do projeto de restauro

De acordo com o arquiteto e artista visual Alexandre Silveira, um dos responsáveis pela iniciativa, o coletivo alugou o imóvel e constatou que ele estava em avançado estado de deterioração. Com um aporte inicial de R$ 50 mil, proveniente do Programa de Ação Cultural (Proac), foram realizados os primeiros reparos necessários para viabilizar a abertura do espaço ao público. O fato de o casarão ser tombado como patrimônio histórico facilita a captação de recursos por meio de editais públicos. O processo de tombamento foi iniciado pelo pintor campineiro Armando Alves, que residiu no local.

História do imóvel

Construído em 1930 para ser a residência do imigrante italiano Alfredo Battibugli, o casarão foi oficialmente tombado em 2015. Antes de se transformar em centro cultural, o espaço abrigou uma escola infantil, que foi lacrada em 2017. O nome do projeto faz uma analogia com a arqueologia, pois o trabalho envolve uma verdadeira “escavação” das memórias do local. Um exemplo disso foi a descoberta de três tipos diferentes de telhas, de épocas distintas, durante os reparos no telhado.

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“A gente realiza uma pesquisa de materiais, um tipo de escavação — seja sobre os objetos, seja sobre nós mesmos — porque, no caso do artista, esse reflexo do que está fora sempre também está dentro”, explica Alexandre. No momento, um dos objetivos é expandir a manutenção e conseguir recursos para restaurar outros cômodos. “A gente já está procurando outros editais para conseguir executar as demais etapas, que incluem os pisos de ladrilho hidráulico. Tem o restauro dos granilites, que também eram pisos antigos daqui. Tem uma série de coisas ainda por fazer, e a gente está empolgado com isso”, afirma.

Cultura gratuita no Centro

O espaço suspendeu as atividades para a reforma em novembro de 2023 e reabriu recentemente, já com novas propostas de ocupação. Segundo o arquiteto, a gratuidade é um pilar fundamental do projeto. “Sempre vai ser 100% gratuito. Não faz sentido cobrar entrada para eventos de artes visuais, ainda mais na região central, onde a gente consegue uma diversidade que muitos espaços não conseguem”, finaliza.

Atualmente, o local recebe a exposição coletiva “Arqueologias de um Casarão”, que fica em cartaz até 30 de maio. A mostra reúne trabalhos de dez artistas residentes que investigam as camadas de memória e os vestígios materiais do imóvel. Também apresenta um conjunto de obras de Armando Vieira Alves, que produziu mais de 150 pinturas no local. O artista Egas Francisco, amigo próximo de Armando, também participa da exposição. Além disso, o espaço promove eventos pontuais, como sessões de desenho, música ao vivo e oficinas.

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