Manifestação fecha Anel Rodoviário em BH antes de votação sobre ocupação Vila Maria
Protesto fecha Anel Rodoviário em BH por causa de ocupação

Manifestação fecha Anel Rodoviário em BH antes de votação crucial sobre ocupação

Uma manifestação organizada por famílias da Vila Maria, na Região Oeste de Belo Horizonte, interrompeu completamente o trânsito no Anel Rodoviário durante a manhã desta terça-feira (10). O protesto ocorreu horas antes da votação, em segundo turno, do Projeto de Lei 9/2025, que delimita a área do Parque Municipal Jacques Cousteau e afeta diretamente o terreno da ocupação onde vivem cerca de 200 famílias.

Bloqueio e intervenção das autoridades

Por volta das 6h, na altura do bairro Betânia, os manifestantes utilizaram madeiras e pneus em chamas para bloquear as pistas em ambos os sentidos da via. O ato resultou em retenção significativa do fluxo de veículos, causando transtornos no principal sistema viário da capital mineira.

Foram acionados para o local:

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  • Polícia Militar
  • Guarda Municipal
  • BHTrans
  • Corpo de Bombeiros

O tráfego foi completamente normalizado somente depois das 8h30, após a dispersão dos manifestantes e a remoção dos obstáculos.

Disputa histórica por moradia versus preservação ambiental

A área onde está localizada a ocupação Vila Maria é palco de uma disputa antiga entre os moradores e a Prefeitura de Belo Horizonte:

  1. Posição das famílias: Cerca de 200 famílias em situação de vulnerabilidade social reivindicam o direito de permanecer no local, argumentando que não conseguem arcar com aluguéis no mercado formal. Os ocupantes contestam a propriedade municipal do terreno, alegando que o espaço pertencia a uma empresa falida e foi doado há mais de 40 anos.
  2. Posição da prefeitura: A administração municipal afirma que o terreno é de propriedade do município, está situado dentro dos limites do Parque Jacques Cousteau e integra uma área de preservação permanente, onde qualquer intervenção é vedada por lei.

O projeto de lei em votação

O PL 9/2025, de autoria do Executivo municipal, busca definir os limites do Parque Municipal Jacques Cousteau, criado em 1971 mas que até hoje não possui seus limites estabelecidos no ordenamento jurídico municipal. Segundo a prefeitura, essa omissão fragiliza a proteção da unidade de conservação.

O projeto foi aprovado em primeiro turno em maio de 2025 e recebeu emendas que incluem:

  • Apresentação de um plano de manejo da área
  • Medidas de reassentamento das famílias da Vila Maria
  • Outras deliberações sobre o uso do espaço

Contexto histórico da ocupação

A ocupação Vila Maria já foi alvo de uma ação de reintegração de posse movida pela Prefeitura em 2022, que foi suspensa liminarmente após mobilização dos moradores e intervenção da Defensoria Pública. As famílias residem no local há anos, construindo suas moradias com a permissão da suposta antiga proprietária do terreno.

O protesto desta terça-feira reforça a tensão social em torno do conflito entre direito à moradia e preservação ambiental, com impacto direto na mobilidade urbana de Belo Horizonte.

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