Protesto em São Paulo após morte de mulher baleada pela Polícia Militar
Na noite de sexta-feira (3), moradores de Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, realizaram um protesto violento após a morte de Thawanna da Silva Salmázio, que foi baleada durante uma intervenção da Polícia Militar. A mulher foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos, gerando indignação na comunidade local.
Confronto e uso de armas durante o protesto
Durante o protesto, os manifestantes montaram barricadas com pneus incendiados, bloqueando vias públicas. Em resposta, policiais utilizaram armas de efeito moral para dispersar o grupo. Um vídeo obtido pela TV Globo mostra agentes avançando pelas ruas e apontando armas em direção às casas, com pelo menos seis disparos registrados. Em uma das cenas, um projétil é lançado diretamente contra um imóvel, embora não seja possível identificar se havia alguém no local oferecendo risco aos policiais.
Versões conflitantes sobre o incidente inicial
Segundo o relato dos policiais no boletim de ocorrência, a equipe fazia patrulhamento quando avistou um casal andando com os braços entrelaçados no meio da rua. Ao passar pelo local, o homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura. Os agentes afirmam que retornaram para verificar a situação, momento em que o homem passou a gritar e discutir, desobedecendo à ordem para se afastar.
De acordo com os policiais, houve um desentendimento e, na sequência, a mulher teria partido para cima de uma policial militar, iniciando um confronto físico. Uma policial relatou que Thawanna apresentava comportamento exaltado, invadiu seu espaço pessoal e desferiu tapas, incluindo um no rosto, levando a uma tentativa de defesa. Durante a ocorrência, houve um disparo de arma de fogo que atingiu a mulher.
Versão do companheiro da vítima contesta relato policial
O companheiro da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal, o que gerou reação de sua esposa. Segundo ele, uma policial desceu da viatura e efetuou um disparo em direção à mulher. Luciano também disse que tentou demonstrar que não oferecia risco e que, mesmo assim, policiais utilizaram spray de pimenta, acrescentando que Thawanna não apresentava comportamento agressivo.
Investigações e medidas tomadas pelas autoridades
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os agentes envolvidos na ocorrência foram afastados do serviço operacional até a conclusão das investigações. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais serão analisados e enviados às autoridades competentes.
A Polícia Civil entendeu, neste momento, que há indícios do crime de resistência por parte dos envolvidos, com base nos depoimentos dos policiais, e lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). As circunstâncias do disparo de arma de fogo e das lesões serão investigadas separadamente em Inquérito Policial Militar (IPM), já instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar, além de possível investigação na esfera da Polícia Civil.
Contexto de mortes cometidas por PMs em São Paulo
Este incidente ocorre em um contexto onde mortes cometidas por policiais militares em serviço têm aumentado em São Paulo em 2025, levantando preocupações sobre o uso da força e a segurança pública na região. O protesto em Cidade Tiradentes reflete a tensão crescente entre a comunidade e as forças policiais, com moradores exigindo justiça e transparência nas investigações.
As autoridades reforçam que todas as medidas estão sendo tomadas para apurar os fatos, enquanto a população aguarda respostas sobre este trágico evento que chocou a cidade.



