Mulher é encontrada morta em Praia Grande; local é transbordo, não 'lixão'
O corpo de uma mulher foi localizado sem vida no domingo (25), na calçada da Avenida dos Trabalhadores, no bairro Sítio do Campo, em Praia Grande, litoral de São Paulo. A vítima, identificada como Monica Bragaia, de 49 anos, foi achada por uma equipe da Polícia Militar após uma denúncia anônima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito no local.
Segundo o boletim de ocorrência, não havia sinais evidentes de violência no corpo. Monica não portava documentos no momento do achado, mas sua identidade foi confirmada pelo pai, de 80 anos. O caso foi registrado como morte suspeita na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, e o local foi preservado para perícia técnica.
Esclarecimento sobre o local: transbordo, não aterro
O boletim de ocorrência mencionou que o corpo foi encontrado "em frente ao lixão". No entanto, a Prefeitura de Praia Grande emitiu uma nota para esclarecer que o espaço em questão é, na verdade, o Transbordo Municipal. A administração municipal destacou que o local funcionou como aterro sanitário apenas até o ano de 2004, quando foi desativado após um termo de ajustamento de conduta firmado com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Atualmente, o transbordo opera como um ponto de transferência de resíduos. Caminhões de menor porte descarregam o lixo coletado no município, e em seguida, carretas de grande capacidade transportam os materiais para aterros sanitários licenciados. "O trabalho no local acontece ao longo de todo dia, onde é realizada a descarga dos materiais pelos caminhões que realizam a coleta de lixo domiciliar e na sequência outros veículos são carregados", informou a prefeitura.
De acordo com a nota oficial, os resíduos são encaminhados no mesmo dia para destinos adequados: o aterro sanitário Sítio das Neves, em Santos, e a Lara Central de Tratamento de Resíduos, localizada em Mauá.
Contexto de vulnerabilidade social na região
Conforme apurações, os arredores do Transbordo Municipal de Praia Grande são frequentados por diversas pessoas em situação de vulnerabilidade social. A prefeitura afirmou que realiza trabalhos de abordagem a esse público, oferecendo uma gama de serviços de apoio.
"Os que aceitam são recebidos no Centro Pop, onde encontram atendimento de psicólogo e assistentes sociais. No local podem se alimentar, realizar a higiene pessoal ou ainda ser encaminhado para o PAT ou para unidade de acolhimento", explicou a administração. No entanto, a nota também ressalta que muitas pessoas recusam a ajuda oferecida, e "o Município não pode obrigá-los a aceitar".
A transformação de Monica Bragaia e o apelo por políticas públicas
Imagens obtidas mostram uma profunda transformação na aparência de Monica Bragaia ao longo dos anos, atribuída a um vício em drogas. O jornalista Antonio Cassimiro, de 59 anos, que a conheceu há cerca de três décadas, descreveu-a como uma jovem "muito vistosa" e "radiante" durante a época escolar.
Cassimiro reencontrou Monica em 2018, próximo a uma igreja, já em estado de debilitação física. "Ela estava mancando, totalmente desfigurada, cabelos que demonstravam estar sem lavar muito tempo e o cheiro também", relatou. Na ocasião, ele conversou com ela sobre espiritualidade e ofereceu ajuda, mas Monica apenas concordou de forma passiva.
Para o jornalista, a história de Monica evidencia uma necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas voltadas para a recuperação de usuários de drogas. "As famílias têm um limite. Então, é mais ainda importante a atuação do poder público", afirmou Cassimiro, destacando a complexidade do desafio social envolvido.
O caso permanece sob investigação das autoridades, enquanto a comunidade local reflete sobre as questões de vulnerabilidade e a correta destinação dos resíduos urbanos.



