Um turista uruguaio de 36 anos, Carlos Adrian Manccini Piriz, morreu após ser baleado por engano durante as comemorações do Réveillon na Praia da Enseada, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O incidente ocorreu na madrugada do dia 1º de janeiro, quando um policial à paisana reagiu a uma tentativa de assalto.
Histórico criminal e processo de extradição
Carlos Adrian Manccini Piriz não era desconhecido da Justiça brasileira. Conforme apurado, o Governo do Uruguai solicitou sua prisão e extradição ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023. O uruguaio era investigado por crimes de fraude e receptação em seu país de origem.
Os autos do processo indicam que Piriz aplicou cerca de 35 golpes pela internet, causando um prejuízo superior a 300 mil pesos uruguaios, o equivalente a aproximadamente R$ 40 mil. As vítimas eram enganadas em transações envolvendo peças automotivas, suplementos e calçados, mas nunca recebiam os produtos e eram bloqueadas após o pagamento.
Em setembro de 2023, o STF decretou sua prisão preventiva para fins de extradição. Piriz foi detido no dia 15 daquele mês e ouvido pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Posteriormente, já em 2024, o Supremo deferiu o pedido de extradição feito pelo Uruguai, autorizando que ele cumprisse pena em seu país natal. Não há confirmação, no entanto, se ele havia sido efetivamente conduzido ao Uruguai, pois estava morando em São Paulo.
O trágico desfecho na virada do ano
A morte do turista, contudo, não teve relação com seus processos judiciais. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), na madrugada de quinta-feira (1º), um policial militar à paisana foi alvo de uma tentativa de assalto na Praia da Enseada.
De acordo com o relato oficial, um dos suspeitos teria ameaçado sacar uma arma. Diante da ameaça, o policial reagiu, resultando em uma troca de tiros. Os assaltantes fugiram do local, mas, lamentavelmente, um tiro atingiu Carlos Piriz no abdômen.
Ele foi socorrido e levado em estado grave ao Hospital Santo Amaro (HSA), onde veio a falecer por volta das 16h40 do mesmo dia.
Versões contraditórias e investigação em andamento
O relato das autoridades, no entanto, é contestado por testemunhas e familiares da vítima. Uma testemunha presente no local afirmou ao g1 que não houve troca de tiros, mas que o policial, "totalmente desesperado", mirou no suposto ladrão e acertou a população. Ela descreveu cenas de pânico, com o agente empurrando meninas que estavam próximas e disparando sem controle. "Foi assustador. Poderia ter pegado em uma criança", declarou.
A irmã de Carlos, Kerollyn Lima, reforçou essa versão, alegando que o suposto ladrão não estava armado e que apenas o policial efetuou os disparos. Ela pediu a prisão do agente.
A SSP-SP informou que a pistola calibre .40 do policial foi apreendida para perícia. O caso foi registrado como roubo e lesão corporal seguida de morte. Diligências seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e esclarecer completamente as circunstâncias do ocorrido.
O g1 tentou contato com representantes da defesa de Carlos Piriz, mas não obteve sucesso. A Justiça uruguaia também não se manifestou, e a família da vítima preferiu não dar declarações adicionais.