O motociclista de aplicativo Jefferson Francisco dos Santos enfrenta uma situação que mistura azar e descaso. Em menos de um dia, ele perdeu sua motocicleta duas vezes: a primeira para assaltantes e a segunda dentro de uma delegacia de polícia, local onde o veículo deveria estar sob custódia e proteção após ser recuperado.
O assalto e a recuperação rápida pela PM
Tudo começou na madrugada do dia 2 de janeiro. Jefferson atendeu a uma chamada para uma corrida no bairro de Coelho Neto, na Zona Norte do Rio. Segundo a polícia, o contato partiu de uma conta falsa. Ao chegar ao local, foi rendido por dois homens armados, que levaram sua moto, celulares e capacete.
O motociclista, no entanto, teve um golpe de sorte inicial. Ele conseguiu abordar uma equipe do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE). Os policiais militares interceptaram os suspeitos perto da comunidade Vila Kennedy, na Zona Oeste. Um dos homens foi preso e parte dos bens, incluindo a moto, foi recuperada.
O segundo sumiço: dentro da 34ª DP
Após a apreensão, a moto e os itens foram levados para a 34ª DP (Bangu). Jefferson registrou o boletim de ocorrência ainda de madrugada e retornou à delegacia na manhã seguinte para acompanhar os procedimentos. A perícia foi realizada e os agentes informaram que o veículo seria encaminhado ao Pátio Legal, onde ficaria disponível para retirada após os trâmites legais.
O problema é que a moto nunca chegou ao destino prometido. No dia 5 de janeiro, Jefferson ligou para checar o registro do veículo no sistema e foi informado de que nada constava. No dia seguinte, foi pessoalmente à delegacia e descobriu que a moto também não estava mais lá. Os agentes teriam pedido uma semana para analisar imagens de câmeras de segurança e tentar entender como o veículo saiu da unidade.
Novo BO por furto e a admissão da polícia
Passado o prazo, na terça-feira, 13 de janeiro, Jefferson retornou à 34ª DP e novamente não obteve respostas concretas. Sem qualquer avanço no caso, ele viu-se obrigado a registrar um segundo boletim de ocorrência, desta vez por furto da moto dentro da própria delegacia.
De acordo com o relato do motociclista, os próprios agentes da 34ª DP admitiram a possibilidade de o veículo ter sido furtado na área destinada ao estacionamento das viaturas. Essa informação foi incluída no novo registro feito por Jefferson.
“Estava trabalhando, fui assaltado. Graças a Deus a Polícia Militar, em 15 ou 20 minutos, conseguiu recuperar minha moto e prender um dos assaltantes. Mas, infelizmente, depois minha moto ficou na delegacia para perícia, para os trâmites legais, ela sumiu. Resumindo: perdi a moto duas vezes na mesma noite”, desabafa Jefferson, que depende do veículo para seu trabalho.
A Polícia Civil, por meio de sua assessoria de imprensa, emitiu um comunicado sobre o caso. A nota afirma que “não é possível afirmar se o veículo citado tem relação direta com um possível furto, nem confirmar de forma definitiva se o bem recuperado é o mesmo indicado pela vítima”. A corporação informou ainda que a 34ª DP investiga o desaparecimento.
Enquanto isso, Jefferson segue sem sua ferramenta de trabalho, sem saber o paradeiro da moto e sem previsão de uma solução para seu drama, que expõe uma grave falha na custódia de bens apreendidos.