Morte de policial militar em Salvador desencadeia confrontos com 11 suspeitos mortos
A morte do cabo da Polícia Militar Glauber Rosa Santos, de 42 anos, na madrugada de terça-feira (3), desencadeou uma série de confrontos violentos em Salvador, resultando na morte de 11 suspeitos entre terça (3) e quinta-feira (5). As ações ocorreram no Complexo do Nordeste de Amaralina, região próxima aos bairros do Rio Vermelho e Pituba, e mobilizaram forças de segurança em uma operação de grande escala.
Detalhes do caso e operação policial
O cabo Glauber foi atingido por um tiro na cabeça durante uma troca de tiros em uma ronda policial. Ele foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento, deixando dois filhos, um de 8 anos e outro de 3 anos. Os suspeitos fugiram do local, o que motivou um reforço no policiamento na área.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), os 11 homens mortos, cujos nomes não foram divulgados, são apontados como suspeitos e têm passagens por crimes como tráfico de drogas, roubo e porte ilegal de arma de fogo. As primeiras oito mortes ocorreram ainda na terça-feira, enquanto os outros três suspeitos foram baleados na quinta-feira, durante vistorias policiais na região.
A Polícia Militar ressaltou que não há confirmação da participação direta desses suspeitos no confronto que vitimou o cabo Glauber, mas as investigações continuam em andamento.
Impactos na região e suspensão de serviços
Os confrontos afetaram significativamente a rotina do bairro, com impactos em transporte, educação e saúde de terça-feira até sexta-feira (6). O transporte público, por exemplo, teve seu ponto final transferido para cerca de 1,5 km do local original, após tiroteios na quinta-feira, retomando a operação apenas na manhã de sexta.
A Escola Municipal São Pedro Nolasco, no bairro Santa Cruz, manteve as atividades suspensas, deixando 124 estudantes sem aulas ao longo de três dias, conforme informou a Secretaria Municipal da Educação (Smed).
Posicionamento das autoridades e investigações
Na quarta-feira (4), o delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, afirmou em entrevista à TV Bahia que "não haverá trégua" até que todos os envolvidos no crime contra o cabo Glauber sejam levados à Justiça. Ele expressou solidariedade aos familiares e colegas do policial, destacando o empenho total para elucidar o caso.
Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de outros departamentos, realizaram rondas em pontos do Vale das Pedrinhas, coletando depoimentos e informações para subsidiar as investigações contra o grupo criminoso responsável pelo ataque.
Homenagens e perfil do policial
Glauber Rosa Santos ingressou na Polícia Militar em 2009 e trabalhava no 30° Batalhão da Polícia Militar, no Nordeste de Amaralina. Seu corpo foi sepultado na quarta-feira em Senhor do Bonfim, sua cidade natal, com um cortejo pelas ruas do município, apoiado pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA).
A Polícia Militar informou que presta assistência aos familiares do agente e reforçou a atuação na área para encontrar os suspeitos dos confrontos.
Defensoria Pública acompanha o caso
Em nota encaminhada à imprensa na sexta-feira, a Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA) informou que acompanha os desdobramentos das 11 mortes dos suspeitos e também o assassinato do cabo Glauber. O órgão reafirmou seu compromisso com a preservação da vida e da dignidade humana, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, atuando no acolhimento das famílias das vítimas e na garantia de acesso à justiça.
O policiamento segue reforçado na região, e a PM orienta que qualquer situação anormal seja informada pelo 190 ou 181 (disque-denúncia).