A morte de um adolescente de 16 anos dentro de uma cela da 153ª Delegacia Legal de Cantagalo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, gerou comoção e uma série de questionamentos por parte da família sobre a conduta do Estado. O caso ocorreu no início de janeiro e está sendo investigado pela Polícia Civil.
Detalhes do caso e questionamentos da família
Segundo relatos da mãe do adolescente, José Gabriel de Avelar de Carvalho Guzzo foi apreendido no sábado, dia 3 de fevereiro, após passar por um surto psiquiátrico dentro de casa. Diagnosticado com esquizofrenia, o jovem fazia acompanhamento psicológico e, em episódios anteriores, havia sido encaminhado para atendimento hospitalar com apoio do Samu, conforme recomendação médica.
Desta vez, no entanto, a polícia foi acionada para conter a crise e o levou para a delegacia, onde permaneceu custodiado. Na manhã do domingo, dia 4, ele foi encontrado sem vida dentro de uma cela da unidade policial.
Falta de comunicação e inconsistências
A família afirma que não recebeu qualquer comunicação oficial sobre a morte. A mãe soube da tragédia através de redes sociais, após uma ligação desesperada da namorada do filho. “Eu deixei meu filho vivo no sábado. No domingo, meu filho estava morto”, declarou ela em entrevista.
Durante o reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal (IML), a mãe observou apenas uma marca fina no pescoço do adolescente, que ela descreveu como “do tamanho de um fio de carregador”. Ela também questiona a cela onde o filho ficou, por não ter um local aparente onde ele pudesse ter se enforcado, e lamenta ainda não ter tido acesso à blusa que ele usava no dia da morte.
Procedimentos em xeque
Além da falta de comunicação, a família levanta graves questionamentos sobre os procedimentos adotados:
- Ausência de atendimento médico ou psiquiátrico adequado para um adolescente em crise.
- Falta de acionamento do Conselho Tutelar, medida obrigatória por lei em casos envolvendo menores de idade.
- A possibilidade de o adolescente ter sido mantido em cela com presos adultos, o que é expressamente proibido.
“Por que não abriram a cela? Por que o Conselho Tutelar não estava com ele? Ele era um menor de 16 anos”, questiona a mãe, que cobra respostas e justiça.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado sob sigilo e que não haveria possibilidade de entrevista com o delegado responsável. Até o momento, não houve novo posicionamento oficial sobre as investigações.