A Polícia Civil de São Paulo indiciou o padrasto pela morte violenta da enteada de 11 anos, Ana Alice Santos França, ocorrida em Serrana no mês de novembro de 2025. Douglas Júnior Nogueira, de 32 anos, está preso desde a época do crime e é apontado como o único suspeito do estupro e do homicídio da criança. O delegado Marcelo Melo de Lima Garcia, responsável pelas investigações, detalhou nesta segunda-feira (12) uma série de provas que fundamentaram a acusação.
Contradições e frieza no comportamento do suspeito
Um dos pontos centrais destacados pelo delegado são as incoerências apresentadas por Douglas em seus dois depoimentos. Enquanto os relatos de testemunhas colhidos ao longo da investigação foram harmônicos, as declarações do padrasto continham contradições que chamaram a atenção dos investigadores.
"Os depoimentos que nós obtivemos ao longo da investigação são harmônicos, coerentes entre si. No entanto, o interrogatório do suspeito, ele foi ouvido em duas ocasiões diferentes, apresenta algumas contradições, incoerências que chamaram a atenção da polícia", afirmou Garcia.
Parte dessas incoerências está relacionada a um vídeo que o próprio suspeito gravou de Ana Alice já sem vida. Segundo o delegado, Douglas filmou a cena em que a menina estava ajoelhada e com o queixo apoiado em uma peça de roupa, ao invés de prestar socorro imediato. "São situações que exibem para nós um completo distanciamento emocional, uma frieza muito grande", completou Garcia.
Implicância excessiva e modo da morte
As investigações também revelaram um histórico de conflitos desproporcionais entre o padrasto e a enteada. Testemunhas relataram que Douglas tinha "uma implicância muito grande" com Ana Alice, que revidava. A relação dele com os outros irmãos da vítima, no entanto, era descrita como boa e amistosa.
"Ele implicava com as vestes que ela trajava, com o cabelo dela, com o uso excessivo do celular por parte dela. Portanto, ele tinha implicâncias desmedidas e desproporcionais com relação a ela", explicou o delegado.
Quanto à causa da morte, a polícia sustenta que houve asfixia provocada com as mãos e possivelmente com um travesseiro. A conclusão se baseia na presença de dois hematomas na região cervical (pescoço) da vítima. "Nossa suspeita é de que tenha havido asfixia... Probabilidade que tenha usado as mãos e é possível também que tenha se valido de um travesseiro para alcançar esse resultado", detalhou Garcia.
Fraude processual e andamento do caso
Os investigadores também suspeitam de fraude processual, com alteração na posição do corpo de Ana Alice após a morte. "Ela foi encontrada em uma posição que, segundo apuramos, não seria suficiente para levar à morte dela", afirmou o delegado, reforçando a tese de que a cena foi manipulada.
O pedido de prisão preventiva de Douglas já foi encaminhado ao Ministério Público. Sua prisão temporária, decretada logo após o crime, vencia nesta terça-feira (13). A defesa do indiciado não foi localizada para comentar as acusações, e o próprio suspeito nega qualquer envolvimento.
O caso começou a ser investigado como estupro de vulnerável após médicos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, para onde Ana Alice foi transferida, identificarem material semelhante a sêmen em seu corpo e comunicarem a polícia, no dia 11 de novembro. A menina faleceu em 13 de novembro, e seu velório ocorreu no dia 15. Laudos posteriores descartaram a presença definitiva de sêmen, drogas ou veneno, mas as lesões genitais e os hematomas no pescoço mantiveram a linha investigativa.