Mutirão da Justiça prevê 300 audiências sobre violência doméstica no Tocantins
Mutirão da Justiça: 300 audiências sobre violência doméstica no TO

Mutirão da Justiça mobiliza Tocantins com foco em violência doméstica

O Poder Judiciário do Tocantins iniciou uma força-tarefa especial para enfrentar a violência contra mulheres, com previsão de mais de 300 audiências concentradas durante a Semana Justiça pela Paz em Casa. A iniciativa busca agilizar procedimentos judiciais relacionados a casos de violência doméstica, incluindo dois júris programados para Palmas e Gurupi.

Caso emblemático envolve vereador acusado de agressões

Enquanto o mutirão judicial se organiza, um caso específico chama atenção em Maurilândia do Tocantins. A técnica de enfermagem Yorrana Dias de Sousa, de 21 anos, denunciou o vereador Ammon Eduardo Ribeiro Mota Souza (União) por agressões físicas que teriam ocorrido no dia do aniversário do político, em janeiro de 2026.

"Aquela hora a gente estava na casa dele. Fui lá comprar cerveja, não deu tempo nem eu descer do carro. Ele veio com a moto com o amigo dele, abriu a porta do carro e começou a me socar", relatou a jovem, cujas fotos mostram o rosto inchado e lábios sangrando após a suposta agressão.

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Histórico de violência e ameaças

Segundo Yorrana, essa não foi a primeira vez que sofreu agressões do ex-namorado. Uma troca de mensagens revela conversas onde o vereador teria dito: "Eu ia te matar". Após procurar a polícia e um advogado, ela conseguiu medidas protetivas na Justiça, mas ainda vive com medo de retaliações.

"Eu vejo que ele está seguindo a vida dele normalmente, enquanto eu estou tendo que me esconder. Eu que estou sendo presa nesse caso", desabafou a vítima. "Espero que a Justiça seja feita, com fé em Deus, que ele pague de alguma forma."

Posicionamento das autoridades locais

O vereador Ammon Eduardo informou à TV Anhanguera que se apresentou às autoridades para prestar esclarecimentos e está à disposição para colaborar com a Justiça. No entanto, afirmou que, por orientação jurídica, não pode comentar o caso no momento.

A Prefeitura de Maurilândia do Tocantins declarou que deu apoio à vítima com profissionais das áreas da saúde e assistência social. Já a Câmara Municipal informou que não vai se manifestar sobre o caso supostamente envolvendo o vereador.

Dados alarmantes sobre violência doméstica no estado

Segundo o Núcleo de Controle de Atividades Especiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mais de 900 boletins de ocorrência foram registrados por descumprimento de decisão judicial de medida protetiva e de medidas protetivas de urgência. Somente em 2026, foram registrados mais 159 casos.

Nos últimos dois anos, 23 mulheres foram vítimas de feminicídio no Tocantins, destacando a gravidade do problema que o mutirão judicial busca enfrentar.

Testemunho de superação dentro das forças de segurança

A sargento Mahianna Maciel, da Polícia Militar do Tocantins, compartilhou sua própria experiência como vítima de violência doméstica. Mesmo atuando no combate à violência contra mulheres, ela não esperava vivenciar essa realidade dentro da própria casa.

"A minha filha perguntou assim: 'A senhora aguenta isso é por causa da gente? A senhora quer criar a gente com o pai?' Esse foi o meu primeiro estalo", contou a policial, que hoje vive livre após receber acolhimento do grupo da PM e da rede de proteção do Tribunal de Justiça.

Compromisso do Judiciário com as vítimas

Letícia Oliveira, assessora jurídica do TJTO, destacou o objetivo central da iniciativa: "Mostrar para essa mulher que o Judiciário está ao lado dela, que nós estamos buscando entregar essa resposta ainda mais rápida para ela, que ela pode sim romper esse ciclo".

Além das 300 audiências previstas, a Semana Justiça pela Paz em Casa deve realizar aproximadamente 220 despachos, demonstrando o esforço concentrado do sistema judiciário para oferecer respostas mais ágeis às vítimas de violência doméstica em todo o Tocantins.

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