Filha de PM vítima de feminicídio aguarda pensão enquanto acusado recebe aposentadoria integral
Filha de PM vítima de feminicídio aguarda pensão, acusado aposentado

Filha de PM vítima de feminicídio enfrenta burocracia para receber pensão enquanto acusado é aposentado com rapidez

A filha de 7 anos da policial militar Gisele Alves Santana, assassinada em um caso de feminicídio atribuído ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, aguarda na fila do Instituto SPPrev, do governo de São Paulo, para receber uma pensão previdenciária garantida por lei. Enquanto isso, o acusado do crime foi rapidamente aposentado com salário integral, gerando uma discrepância que causa indignação na sociedade e na família da vítima.

Processo de pensão para a criança segue prazo mínimo de 120 dias

Segundo documentos obtidos, a família da menina protocolou em 6 de março o pedido de pensão, com base na Lei Complementar 1.354/2020, que regula a previdência dos servidores públicos do Estado de São Paulo. Gisele foi morta em 18 de março, e a pensão deve ser paga de acordo com o tempo de contribuição da mãe à corporação, garantida até a maioridade da criança.

A São Paulo Previdência (SPPrev) informou que o processo já foi analisado e o primeiro pagamento será efetuado na folha de pagamento em 8 de abril. Em nota, a autarquia esclareceu que o procedimento envolve validações administrativas e jurídicas próprias, distintas daquelas aplicáveis aos processos de passagem para a inatividade, o que pode resultar em prazos diferentes de conclusão.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Aposentadoria rápida do tenente-coronel acusado gera revolta

Em contraste, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente por feminicídio e fraude processual, teve sua aposentadoria concedida com celeridade. A Diretoria de Pessoal da Polícia Militar divulgou uma portaria de inatividade que o transfere para a reserva, com direito a vencimentos integrais, baseada em critérios proporcionais de idade.

O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio oficial à corporação, e ele deve continuar recebendo salário, que foi de R$ 28,9 mil brutos em fevereiro, com a aposentadoria estimada em torno de R$ 21 mil mensais. A PM afirma que a transferência não livra o tenente-coronel do processo que pode levar à sua expulsão, mas fontes indicam que ele pode perder a patente, mas não o direito ao salário conquistado por tempo de serviço.

Advogado e família criticam a discrepância no tratamento

Para o advogado criminalista José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, a demora para a filha receber o benefício contrasta com a rapidez na concessão da aposentadoria ao acusado. "É uma discrepância enorme, que causa ainda mais indignação na sociedade", afirmou ele, destacando que a criança tem direito à pensão por ser menor de idade e deveria estar sendo protegida por lei.

Os pais da soldado, José Simonal Telles e Marinalva Vieira Alves de Santana, reagiram com revolta à decisão. "Você acha justo a população do estado de São Paulo pagar salário para um monstro desse?", questionou o pai, enquanto a mãe acrescentou: "É muito revoltante ver um assassino desse ser aposentado assim tão rápido".

Governador Tarcísio de Freitas comenta o caso

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a legislação assegura a aposentadoria para o réu, mas espera que a Justiça o condene e que ele "apodreça o resto da vida na cadeia". Ele destacou que as instâncias são independentes e que a punição severa, incluindo a perda de posto, é desejada, beneficiando os familiares no longo prazo.

Relembre os detalhes do feminicídio

A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, Zona Leste de São Paulo, em 18 de fevereiro. Inicialmente, o oficial alegou suicídio, mas a investigação da Polícia Civil contestou essa versão, identificando indícios de manipulação de evidências, como mensagens apagadas do celular da vítima.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Colegas relataram episódios anteriores de agressões e ciúmes excessivos por parte do tenente-coronel. A defesa nega o crime e questiona a competência da Justiça Militar, afirmando que o oficial colaborou com as investigações. O caso continua sob apuração, com o tenente-coronel preso no Presídio Militar Romão Gomes.