Mulher de 32 anos é vítima de feminicídio após pedidos de socorro em Londrina
Feminicídio em Londrina: vítima pediu socorro antes de morrer

Uma mulher de 32 anos foi encontrada morta no banheiro da própria casa, na zona leste de Londrina, norte do Paraná, após um histórico de agressões e pedidos de socorro ignorados. Roseli Machado Clementino foi vítima de feminicídio, e seu companheiro, Luciano Borges Vieira, de 42 anos, foi preso em flagrante.

Pedidos de socorro ignorados e ciclo de violência

De acordo com relatos de familiares à polícia, Roseli fez diversos pedidos de ajuda entre outubro e dezembro de 2025. Em áudios desesperadores, ela implorava por auxílio a amigos, dizendo não aguentar mais sofrer. "Eu vou embora, não aguento mais ficar aqui. Eu não aguento mais sofrer, amiga. Eu não tô aguentando nem respirar", disse em uma das mensagens.

O casal mantinha um relacionamento há uma década, marcado por violência. Familiares relataram que Luciano agredia e ameaçava Roseli, chegando a jurar sua morte. A vítima chegou a sair de casa em algumas ocasiões, mas retornava após pedidos de perdão do companheiro e por causa dos filhos, três crianças com idades entre 3 e 8 anos.

Morte violenta e tentativa de encobrimento

O corpo de Roseli foi descoberto na manhã de domingo, 11 de janeiro. Luciano, ao acionar a Polícia Militar, afirmou ter encontrado a esposa caída no banheiro por volta das 8h30 e tentou sustentar a versão de que a morte foi causada por uma overdose.

No entanto, o laudo da Polícia Científica desmentiu completamente a alegação do suspeito. A Declaração de Óbito atestou que a morte foi decorrente de uma hemorragia interna e lesões encefálicas e abdominais compatíveis com ação contundente, ou seja, agressões físicas. O delegado Magno Miranda afirmou que o resultado afastou a hipótese de morte natural ou por uso de entorpecentes.

Prisão em flagrante e investigação

Com as provas colhidas, Luciano Borges Vieira foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio. Durante o interrogatório, ele optou por permanecer em silêncio. O sistema do Poder Judiciário informou que o suspeito ainda não possui advogado constituído.

O inquérito policial deve ser finalizado em até 10 dias, e o caso passará a ser investigado pela Delegacia da Mulher de Londrina. A polícia já tinha registro de um caso anterior de violência doméstica entre o casal, no qual Luciano usou um martelo para agredir Roseli.

Uma testemunha ouvida pelos investigadores relatou ter ido à casa do casal durante a madrugada do crime e ouvido a confissão de Luciano sobre a agressão. "Então foi robustamente comprovado no auto de prisão em flagrante que esse indivíduo praticava sim agressões contra sua esposa", explicou o delegado Magno Miranda.

Natural de Faxinal, também no Paraná, Roseli Machado Clementino foi sepultada na manhã da segunda-feira, 12 de janeiro, em Londrina. O caso choca a comunidade e expõe a tragédia da violência doméstica que, muitas vezes, é precedida por gritos de socorro não atendidos.