Um ataque aéreo israelense realizado nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, na Faixa de Gaza, resultou na morte de Mohammed Al-Holy, um alto comandante do braço armado do grupo palestino Hamas. A informação foi confirmada por uma fonte do grupo radical à agência de notícias Reuters.
Detalhes do ataque e violação do acordo
O ataque, que atingiu a região de Gaza, não vitimou apenas o comandante militar. Segundo os relatos, outras seis pessoas perderam a vida na mesma operação, incluindo um adolescente de apenas 16 anos. Este evento representa uma clara violação dos termos do cessar-fogo vigente entre Israel e o Hamas.
Em um comunicado oficial, o Hamas condenou veementemente os ataques, que teriam atingido também a família de Al-Holy, mas não confirmou oficialmente a morte do comandante. O grupo acusou Israel de desrespeitar o acordo de maneira proposital, com o objetivo de reacender o conflito na região.
Desde o início da trégua, em outubro do ano passado, o saldo é trágico: mais de 400 palestinos foram mortos em bombardeios israelenses, sendo que cerca de 100 dessas vítimas eram crianças.
A segunda fase do cessar-fogo e a resistência do Hamas
Em meio a essas violações, o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, anunciou na quarta-feira, 14 de janeiro, o início da segunda fase do plano de cessar-fogo. Através da rede social X (antigo Twitter), Witkoff advertiu que os EUA esperam que “o Hamas cumpra integralmente suas obrigações”, incluindo a devolução dos restos mortais do último refém falecido, e que o não cumprimento trará consequências graves.
Esta nova etapa, chamada de “Fase Dois do Plano de 20 Pontos” do presidente americano, visa transicionar do cessar-fogo para um processo de desmilitarização do Hamas, estabelecendo uma administração palestina tecnocrática de transição e iniciando a reconstrução de Gaza.
No entanto, os combatentes do Hamas resistem à proposta. Eles se recusam a aceitar o desarmamento antes da criação de um Estado palestino independente, o que coloca um obstáculo significativo no avanço do plano americano.
Sucessão na liderança do grupo
Paralelamente, o grupo palestino se prepara para uma mudança em sua cúpula. A Reuters informou que o Hamas deve eleger um novo líder político ainda neste mês, mais de um ano após a morte de seu anterior líder, Yahya Sinwar, em Rafah.
Os nomes mais cotados para assumir a liderança são Khalil Al-Hayya, de 65 anos, que atuou como negociador-chefe do grupo, e Khaled Meshaal, um dos fundadores históricos do Hamas. Ambos residem atualmente no Catar e fazem parte do conselho de cinco membros que tem administrado a organização desde a morte de Sinwar.
O cenário permanece extremamente volátil, com a violência no terreno desafiando os esforços diplomáticos internacionais. A morte de um comandante de alto escalão em uma ação que quebra a trégua indica que o caminho para uma paz duradoura na região continua cheio de obstáculos e incertezas.