Ex-primeira-dama de Xapuri denuncia prefeito por agressões e recebe apoio do MP-AC
Após uma denúncia pública nas redes sociais, a ex-primeira-dama de Xapuri, Ana Carla de Oliveira, de 29 anos, acusou o prefeito Maxsuel Maia (PP) de agressões físicas e psicológicas durante o casamento de três anos. A gestora pública revelou que recebeu orientação jurídica do Centro de Atendimento à Vítima (CAV), vinculado ao Ministério Público do Acre (MP-AC), para formalizar a denúncia.
Detalhes das acusações e repercussão
Ana Carla afirmou ao g1 que vivenciou episódios de controle, xingamentos, isolamento social e três situações de agressão física, incluindo um incidente no Réveillon que a fez temer pela própria vida. Ela destacou que os comportamentos abusivos começaram nos primeiros meses do relacionamento, com críticas à sua forma de vestir e ao afastamento de familiares e amigos.
"Tenho recebido inúmeras mensagens desde que relatei o que aconteceu. São muitas manifestações de apoio, muitos relatos e muitas mulheres dizendo que se identificam com a minha história. Tem sido um momento muito intenso, mas também de acolhimento", declarou Ana Carla.
Resposta das autoridades e medidas adotadas
O MP-AC emitiu uma nota reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero. A coordenadora do CAV, Bianca Bernardes, informou que o caso está sendo tratado com sigilo para preservar a vítima e que todas as medidas judiciais pertinentes estão sendo adotadas de forma célere.
Além disso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) repudiou qualquer forma de violência contra a mulher e ressaltou que o cargo de prefeito é incompatível com o exercício da advocacia, conforme o Estatuto da entidade.
Contexto do relacionamento e agressões
Ana Carla descreveu o relacionamento como um ciclo de tensão, agressão e reconciliação, que criou uma forte dependência emocional. Ela ocupava o cargo de secretária municipal da Mulher e foi exonerada após o fim do casamento, ocorrido no ano passado.
Entre os episódios relatados, estão:
- Agressões físicas, incluindo tapas, arremesso de objetos e estrangulamento.
- Monitoramento de telefone e xingamentos constantes.
- Isolamento social e perda de identidade ao longo da relação.
Ela também compartilhou prints de conversas e áudios atribuídos ao prefeito, nos quais ele admite episódios de agressão. Em um trecho das mensagens, Maxsuel Maia reconhece as agressões e afirma tentar controlar o ciúme.
Silêncio e rompimento
Ana Carla explicou que permaneceu em silêncio durante o relacionamento por medo e dependência emocional, mas decidiu romper o ciclo após o término. "Eu me questionei por que continuava em silêncio e, de certa forma, protegendo alguém que não demonstrava o mesmo cuidado com o meu nome e com a minha imagem", completou.
Procurado pela reportagem, o prefeito Maxsuel Maia informou que, diante da repercussão do caso, não pretende se manifestar neste momento. O MP-AC continua a apurar as denúncias, garantindo o sigilo e o apoio necessário à vítima.
