A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa sob suspeita de liderar um dos grupos envolvidos em um esquema de migração ilegal para os Estados Unidos, foi libertada após permanecer detida por mais de 24 horas na Casa do Albergado, em Goiânia. Ela é investigada por supostamente coordenar a atividade criminosa por aproximadamente 20 anos, com movimentação financeira estimada em R$ 45 milhões.
Defesa contesta prisão
Em nota oficial, a defesa de Maria Helena afirmou que a revogação da prisão preventiva representa o reconhecimento da “desnecessidade” da medida extrema. Os advogados também solicitaram respeito à presunção de inocência. Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). A Polícia Federal esclareceu que o governador e sua esposa não são alvo de investigação. Em comunicado, Vilela declarou que os fatos são apurados desde meados dos anos 2000 e não têm relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.
Outras envolvidas
Juliana Rosa Tomé Froes, suspeita de recrutar clientes, comprar e gerenciar passagens, hospedagem e a logística do esquema, também foi presa e posteriormente solta, mas com a imposição de tornozeleira eletrônica por 90 dias. A defesa de Juliana argumenta que auxiliar brasileiros a se apresentarem às autoridades norte-americanas e formalizarem pedidos de asilo não configura crime. Já Valéria Divina de Macedo, apontada como responsável pela parte financeira e logística do grupo criminoso, permanece presa. Sua defesa não foi localizada para comentários.
Dimensão do esquema
Até o momento, pelo menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da rede criminosa, que envolvia quatro grupos independentes, mas que compartilhavam fluxos financeiros, logísticos e operacionais. Os quatro suspeitos do esquema em Goiânia, alvos da Polícia Federal, devem responder pelos crimes de promoção de imigração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Detalhes da investigação
Maria Helena foi presa sob suspeita de chefiar um dos grupos, mantendo contato com coiotes e adquirindo passagens para imigrantes entrarem ilegalmente nos Estados Unidos. Ao todo, os cinco grupos suspeitos movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, conforme estimativa policial. A investigação obteve autorização judicial para quebra de sigilos telefônicos e bancários de Maria Helena, revelando mais de R$ 45 milhões em suas contas, supostamente oriundos do esquema. No Amapá, dois outros chefes, ainda não localizados, foram incluídos na lista da Interpol, segundo a PF.
Nota do governador Daniel Vilela: "O caso envolvendo a senhora Maria Helena de Souza Costa não tem absolutamente nenhuma relação com o governador Daniel Vilela e com sua mulher, Iara Netto Vilela. São fatos investigados desde meados dos anos 2000, segundo divulgou a própria Polícia Federal, e não envolvem em nenhum momento o governador ou o governo de Goiás."



