Casal é julgado por manter filhos presos em casa por quatro anos na Espanha
Casal julgado por manter filhos presos em casa por 4 anos

Casal enfrenta tribunal por confinar filhos em "casa dos horrores" na Espanha

O julgamento de um casal acusado de manter os três filhos presos dentro de casa por quatro anos, em condições extremas de abandono, teve início nesta quarta-feira (11) em Oviedo, Espanha. Os réus, um homem alemão de 53 anos e uma mulher com dupla nacionalidade alemã e norte-americana de 48 anos, compareceram ao tribunal para responder por crimes de violência doméstica, maus-tratos psicológicos e abandono de crianças.

Quatro anos de confinamento extremo sem escola ou cuidados médicos

As três crianças, com idades entre oito e dez anos, foram resgatadas em maio do ano passado da residência que ficou conhecida como "casa dos horrores", onde estavam confinadas desde 2021. Durante todo esse período, os menores não tiveram acesso à escola, a cuidados médicos ou a qualquer contato com o mundo exterior. A situação só veio à tona após uma vizinha alertar as autoridades sobre vozes e movimentos de crianças pelas janelas, mas nunca as vendo sair de casa.

A polícia iniciou uma vigilância que revelou padrões preocupantes: a porta da casa, registrada em nome do homem, só era aberta para recolher encomendas de comida de supermercados. Ao entrarem na residência em abril de 2025 com uma ordem judicial do Tribunal de Menores, as autoridades descobriram condições chocantes.

Crianças tratadas como bebês com regras rígidas e isolamento total

Os menores eram submetidos a um tratamento desumano: eram mantidos como bebês, obrigados a usar fraldas e dormir em berços, mesmo com idades avançadas. Seguiam um horário rígido para ir ao banheiro e só podiam olhar pela janela por breves períodos, sendo obrigados a baixar as persianas imediatamente depois. O isolamento era completo, sem qualquer interação social ou educacional adequada.

Defesa alega problemas mentais leves e medo pós-pandemia

O advogado do casal apresentou uma defesa baseada em alegações de saúde mental. Segundo ele, os réus padecem de "problemas de saúde mentais leves" provocados pela pandemia de Covid-19. O casal teria desenvolvido um "medo racional e insuperável" de sair à rua depois de terem contraído a doença e ficado "doentes durante meses".

O fato de serem estrangeiros teria agravado sua situação, levando-os a optar por educar os filhos em casa de forma radical. A defesa pretende provar que os atos ocorreram na sequência de um "distúrbio mental comum leve" e que, portanto, "não há responsabilidade penal" por parte dos acusados, que mantêm sua inocência.

Processo judicial segue com acusações graves e busca por justiça

O julgamento representa um marco na busca por justiça para as três crianças que sofreram anos de confinamento e negligência. As acusações formais incluem violência doméstica, maus-tratos psicológicos e abandono de crianças, crimes que podem resultar em penas significativas se a defesa não conseguir comprovar suas alegações de incapacidade mental.

O caso continua a chamar atenção internacional pela gravidade das condições em que as crianças foram mantidas e pelas justificativas incomuns apresentadas pela defesa, que tenta vincular o comportamento extremo do casal às sequelas psicológicas da pandemia global.