Bebê de 7 meses internada em estado grave no Acre após maus-tratos
Bebê de 7 meses internada em estado grave no Acre

Uma bebê de apenas sete meses, natural do município de Xapuri, no interior do Acre, luta pela vida no Hospital da Criança, em Rio Branco. A criança foi internada em estado gravíssimo, apresentando ferimentos no pescoço e um quadro clínico de desnutrição severa, que colocava sua vida em risco iminente.

Trajetória de sofrimento e negligência

A menina chegou ao Hospital de Xapuri no dia 31 de dezembro de 2025, véspera de Ano-Novo, levada pela avó paterna. Diante da gravidade do estado de saúde, que incluía lesões no pescoço com inflamação e secreção, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a transferiu para a capital no dia seguinte.

A família relata que a bebê foi diagnosticada com Enterocolite Necrosante, uma grave inflamação intestinal. No entanto, o quadro era ainda mais complexo. Segundo a tia da criança, Jaqueline Pereira, de 26 anos, a menina chegou ao hospital com desnutrição severa, falta de proteínas, lesões por desnutrição e inchaço generalizado.

"Ela chegou em estado grave, tinha apenas 30% de vida. Estava muito inchada, não achavam a veia dela", contou Jaqueline ao g1. A equipe médica alertou a família que a criança corria risco de morte a qualquer momento por infecção ou hipoglicemia.

Histórico de denúncias e omissão familiar

O caso expõe um longo histórico de negligência. A mãe das crianças, Milena dos Santos, pediu que a ex-sogra ficasse com a bebê de sete meses enquanto ela saía com os outros dois filhos, de 2 e 4 anos, para as comemorações do Réveillon. Foi a avó quem descobriu os ferimentos no corpo da neta.

A família afirma que já havia feito, pelo menos, três denúncias formais contra Milena ao Conselho Tutelar de Xapuri por maus-tratos contra os três filhos. A primeira denúncia ocorreu em 2024, quando a bebê sofreu queimaduras com café quente.

"Sempre que ela deixava a menina com a gente, a levamos no hospital porque estava doente. A gente chamava o conselho, que ia até lá", relembra Jaqueline. Ela ainda acusa a mãe de impedir o contato da criança com a família paterna, de não fornecer alimentação e higiene adequadas e de não cumprir com o calendário vacinal.

Maria Aparecida de Souza e Souza, tia do filho de 4 anos de Milena, também relatou à reportagem que acionou o Conselho Tutelar várias vezes, sem respostas efetivas. "Sempre ouvia a bebê chorando, eu sabia que não estava bem. Acionamos o conselho várias vezes", desabafou.

Encaminhamentos jurídicos e posicionamento oficial

Diante da aparente inércia, a família decidiu levar o caso diretamente ao Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC). O órgão confirmou que vai acompanhar as investigações. Atualmente, as três crianças estão sob os cuidados de outros familiares, longe da mãe biológica.

Em nota oficial, o Conselho Tutelar de Xapuri se limitou a informar que "a situação foi devidamente registrada, analisada e acompanhada, tendo sido adotadas as providências cabíveis dentro da competência do órgão". O comunicado alegou sigilo legal para não divulgar detalhes do caso, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos da criança e do adolescente.

A bebê, que segue internada no Hospital da Criança em Rio Branco, acompanhada por uma tia, já iniciou tratamento e apresenta melhoras. A reportagem tentou contato com a mãe, Milena dos Santos, por telefone e mensagem de texto, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.