Uma bebê de apenas um mês de vida permanece internada em estado grave na Santa Casa de Campo Grande, após ser diagnosticada com múltiplas fraturas na coluna e complicações nos pulmões. O caso, considerado grave, está sendo investigado em sigilo pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Sequência do atendimento e investigação
De acordo com informações da Polícia Militar, a criança foi levada inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Leblon. Devido à gravidade do seu estado, foi necessária a transferência para o hospital Santa Casa. No local, a PM e a Assistência Social acionaram imediatamente o Conselho Tutelar de Campo Grande.
Entretanto, conforme a coordenação do 5º Conselho Tutelar, a equipe não se deslocou até o hospital na sexta-feira (9). A justificativa foi que a criança já estava recebendo todo o atendimento médico necessário. "No momento em que recebemos a comunicação da violação, a criança já estava sendo atendida pela saúde", explicou a coordenadora Bianca Borges.
Versão apresentada pelos pais
Os pais da recém-nascida relataram à polícia que as lesões teriam ocorrido durante uma massagem. O pai afirmou que realizava o procedimento na filha com o intuito de aliviar cólicas e gases. A mãe corroborou a história, dizendo que o marido teria usado força excessiva sem perceber.
O homem confirmou a versão e acrescentou que estava nervoso com o choro incessante da bebê, o que o teria levado a aplicar mais força do que o adequado. Ele também declarou ter ligado para o Samu no dia do ocorrido, mas não apresentou nenhum registro que comprovasse a chamada.
Os pais alegaram ainda que não procuraram atendimento médico imediato porque a criança não demonstrava sinais aparentes de dor e devido à falta de recursos financeiros.
Atuação da rede de proteção
A coordenadora Bianca Borges detalhou a atuação do Conselho Tutelar em casos similares. "Se a criança precisar de acompanhamento psicológico ou de atendimento especializado, vamos fazer os encaminhamentos necessários. Cada caso é avaliado para a aplicação das medidas de proteção", afirmou. Ela reforçou que, quando os pais não são os supostos violadores, a atuação do conselho ocorre de forma posterior ao atendimento de saúde emergencial.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Campo Grande emitiu uma nota informando que adotou, de forma urgente, todas as providências cabíveis. O caso foi encaminhado aos órgãos do sistema de garantia de direitos e continua sendo acompanhado de perto pela rede de proteção. A instituição assegurou que a bebê está em local seguro e recebendo todo o suporte médico necessário.
Enquanto isso, a investigação policial segue para apurar todas as circunstâncias que levaram às graves lesões na recém-nascida.