A Polícia Civil de Roraima determinou o fechamento de um bar que funcionava como ponto de exploração sexual na cidade de Rorainópolis, localizada no sul do estado. A ação, realizada na quarta-feira, 14 de maio de 2025, resultou na indiciação da proprietária do estabelecimento, uma mulher de 37 anos.
Operação resgata adolescente e fecha estabelecimento
A medida de fechamento do bar foi autorizada pelo juiz Ruberval Barbosa de Oliveira Júnior, da Vara Criminal de Rorainópolis, na terça-feira, 13 de maio. A decisão judicial foi o desfecho de uma investigação que teve início em outubro de 2024, quando uma adolescente de 16 anos foi resgatada do local durante uma ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Conselho Tutelar.
A vítima, natural de Manaus, no Amazonas, foi aliciada ainda em seu estado de origem por uma conhecida com quem morava. A promessa era de um emprego em um bar na cidade de Rorainópolis. As duas chegaram à cidade em agosto de 2024.
Mecanismos de exploração e clientela revelados
De acordo com o relato da adolescente, ao chegar ao bar, a dona perguntou sua idade. Mesmo ciente de que se tratava de uma menor, a mulher permitiu que ela ficasse no local após a jovem afirmar que não tinha para onde ir. A condição imposta foi que a adolescente dissesse ter 18 anos se fosse questionada por qualquer pessoa.
A jovem permaneceu no local por aproximadamente dois meses, até o resgate. Sua rotina consistia em abordar clientes nas mesas do bar e oferecer companhia. Quando havia interesse, os programas sexuais ocorriam nos quartos do próprio estabelecimento.
Segundo as investigações, a maioria dos clientes era composta por fazendeiros, filhos de fazendeiros e agentes públicos. O valor médio cobrado por programa era de R$ 500, mas apenas uma parte desse dinheiro ficava com a adolescente. Conversas de texto obtidas pela polícia confirmaram a atuação da jovem como "garota de programa" e que a dona do bar supervisionava diretamente as saídas, controlava os pagamentos e decidia sobre os atendimentos.
Versão da acusada e conclusão da polícia
Em seu interrogatório, a mulher indiciada apresentou uma versão diferente dos fatos. Ela afirmou que a adolescente foi contratada para trabalhar como babá de sua filha. Segundo ela, nos períodos de folga, a menina se prostituía por vontade própria e que ela, proprietária, não sabia que se tratava de uma menor de idade.
A mulher também disse que a adolescente e outras jovens pagavam apenas pelo aluguel dos quartos do bar e que ela não participava dos lucros dos programas sexuais.
Para a Polícia Civil, no entanto, as provas colhidas comprovaram que a mulher facilitava e lucrava com a exploração sexual da adolescente. Ela foi indiciada pelos crimes de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável e por manter uma casa de prostituição.
Após ser resgatada, a adolescente foi encaminhada ao Abrigo Institucional Feminino Pastor Josué Rocha Araújo, onde segue recebendo acolhimento. A vítima não possuía Registro Geral (RG) nem Cadastro de Pessoa Física (CPF), tendo apenas uma cópia da certidão de nascimento.