Laudo aponta transtorno psicótico em garçom que matou vereador no CE
Laudo: garçom que matou vereador tem transtorno psicótico

A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) concluiu que o garçom Antônio Charlan Rocha Souza, preso há dois anos por matar a facadas o vereador de Camocim, César Araújo Veras, e ferir outras duas pessoas, sofre de “Transtorno psicótico não orgânico não especificado”. O laudo, obtido pelo g1 nesta quinta-feira (7), aponta que ele era “inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato que cometeu”, e que o crime foi relacionado a delírios e alucinações.

Relembre o crime

Em 28 de abril de 2024, o vereador César Araújo Veras (PSB), de 51 anos, foi morto segundos após chegar a um restaurante. As outras vítimas foram o dono do estabelecimento, Euclides Oliveira Neto, de 55 anos, e o cliente Fábio Roberto de Castro Sousa, de 56 anos. O garçom pegou uma faca usada para cortar frutas na cozinha e atacou as vítimas.

O laudo pericial

O documento, que integra um Incidente de Insanidade Mental solicitado pela defesa, afirma que o quadro de Charlan implicou em “prejuízo total das capacidades de entendimento e de autodeterminação no período de interesse”. A defesa alega que ele deve ser considerado inimputável devido à doença mental. Após a entrega do laudo, a 1ª Vara de Camocim abriu vistas à defesa, ao Ministério Público e à assistência de acusação.

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Segundo o laudo, Charlan ouviu uma voz masculina dizendo “Vai! Vai! Se até o Rei Davi matou, por que tu não pode fazer isso?” antes do ataque. Ele também sentiu uma “pressão, como se houvesse uma enorme força externa controlando-o” e não lembra do crime, afirmando que “sua mente se apagou”. Ele só teria voltado a si quando dirigia o carro, com manchas de sangue e a faca.

Reações

Leandro Vasques, advogado da família do vereador, reconheceu o trabalho da perícia, mas pediu aprofundamento da investigação sobre a saúde mental do acusado. Ele destacou a “aguda e elevada periculosidade” do réu e a necessidade de mantê-lo longe do convívio social. A defesa de Charlan não foi localizada para comentar.

Denúncia do MP

O Ministério Público do Ceará denunciou Charlan em junho de 2024 por homicídio e tentativa de homicídio, considerando a motivação fútil e a impossibilidade de defesa das vítimas. A Polícia Civil apontou que o crime teria sido motivado por suposto assédio moral no trabalho, versão contestada pela família do vereador.

Novas imagens

Imagens de câmeras de segurança, apresentadas pela família, mostram Charlan, cerca de três horas antes do crime, próximo a um colega que amolava a faca. Ele pegou o objeto sem que o colega percebesse e, pouco depois, iniciou o ataque. O MP pediu a inclusão dos vídeos no inquérito.

Investigação

Dados do celular de Charlan mostraram pesquisas sobre direitos trabalhistas e termos como “melancolia” e “tristeza permanente”. A polícia concluiu que ele possuía problemas psicológicos, possivelmente gerados por desrespeito trabalhista. Mensagens de WhatsApp não revelaram conteúdo criminoso. O garçom trabalhava há 13 anos no restaurante e conhecia as vítimas, sem desavenças.

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