Ypê recorre e volta a vender produtos suspensos; Anvisa mantém alerta
Ypê recorre e volta a vender; Anvisa mantém alerta

Na sexta-feira (8), a fabricante Ypê recorreu da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e conseguiu autorização para retomar a comercialização dos itens que haviam sido suspensos. No entanto, a agência manteve a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos até que uma nova decisão seja proferida.

Principais dúvidas sobre os riscos à saúde

As principais preocupações envolvem os riscos à saúde, a necessidade de procurar atendimento médico e os cuidados com objetos que tiveram contato com os produtos, como roupas, utensílios domésticos e esponjas de pia. O ponto central do alerta é a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada pela própria fabricante em lotes de lava-roupas em novembro de 2025.

O que é a Pseudomonas aeruginosa?

O microrganismo é comum no ambiente e pode ser encontrado na água, no solo e em superfícies úmidas. Segundo Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, “para a população em geral, é pouco provável que o contato com a bactéria cause uma infecção. O risco aumenta quando há alguma porta de entrada, como uma lesão de pele mais grave ou uma cicatriz cirúrgica”.

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A infectologista Thaís Guimarães, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, reforça que o simples contato com a pele íntegra normalmente não provoca doença. “O risco aumenta principalmente quando há contato com olhos, mucosas, feridas, queimaduras ou dermatites, ou em pessoas imunossuprimidas”, explica.

Quem deve ter mais cuidado?

Os especialistas destacam que o maior cuidado deve ser voltado para imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com lesões na pele, além de bebês e idosos fragilizados. “No caso das pessoas imunossuprimidas, isso realmente aumenta o risco de infecção, porque são pessoas muito mais frágeis”, afirma Chebabo.

Quem usou os produtos deve procurar médico?

Segundo os médicos, quem utilizou os produtos e não apresentou sintomas não precisa procurar atendimento médico apenas por isso. A orientação é interromper o uso e observar possíveis sinais de irritação ou infecção. “Quando a pessoa utiliza o produto, a princípio só tem que observar o aparecimento de sinais e sintomas que possam justificar um quadro infeccioso. Não precisa buscar o médico só porque usou o produto”, diz Chebabo.

Sinais de alerta

Os especialistas recomendam atenção em casos de irritação na pele, secreção, vermelhidão persistente, dor, problemas nos olhos, febre ou qualquer sinal de infecção, especialmente em pessoas vulneráveis. Em situações de contato com olhos, mucosas ou feridas, a recomendação é lavar imediatamente com água abundante.

Cuidados com roupas e objetos

Roupas íntimas, toalhas, roupas de cama e peças de bebê também geraram dúvidas. A especialista Thaís Guimarães explica que esses itens merecem maior atenção porque ficam em contato direto e prolongado com a pele. Ainda assim, para pessoas saudáveis, o risco segue sendo considerado baixo. Em caso de dúvida, especialistas orientam lavar novamente as peças com outro produto.

Outra recomendação importante envolve as esponjas de pia. Ainda de acordo com especialistas, o ideal é descartá-las caso tenham sido usadas com detergentes dos lotes afetados. “É importante que haja troca da esponja se ela foi utilizada junto com um desses produtos, porque a bactéria pode ficar ali e se manter mesmo depois da troca do detergente”, afirma.

Posição da Ypê

Na quinta-feira (7), a Ypê criticou a decisão da Anvisa e classificou a medida como “arbitrária e desproporcional”. Segundo a empresa, o recurso apresentado suspendeu automaticamente os efeitos da proibição até novo pronunciamento da agência. “Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade”, informou a fabricante.

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A Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. Ela raramente provoca infecções em pessoas saudáveis, mas pode causar quadros graves em indivíduos com o sistema imunológico comprometido. Segundo o Manual MSD, essas bactérias são favorecidas por ambientes úmidos, como lavatórios, piscinas e banheiras, podendo também estar presentes na pele de pessoas saudáveis.

A empresa também afirmou que o uso normal dos produtos diluídos reduz drasticamente qualquer carga bacteriana e que não há registros na literatura médica de infecção causada por roupas lavadas com detergentes domésticos. A fabricante reforçou ainda que a bactéria não oferece risco por inalação e recomendou evitar contato prolongado do produto concentrado com a pele, principalmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas.