João de Deus: penas somam 211 anos após recursos; entenda o caso
João de Deus: penas somam 211 anos após recursos

O que aconteceu com João de Deus? João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, foi condenado por crimes sexuais em primeira instância a penas que somavam quase 480 anos, segundo levantamento do g1 junto ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Mais de sete anos após a primeira denúncia, as penas foram reduzidas para menos da metade após julgamento de recursos. Os crimes incluem estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. A defesa de João de Deus informou que não dará mais declarações sobre o caso.

A trajetória de João de Deus

João de Deus ganhou notoriedade após realizar cirurgias espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em Abadiânia, Goiás. Em 2018, a cidade de 17 mil habitantes se chocou quando cerca de 10 mulheres iniciaram uma série de denúncias contra ele, relatando abuso sexual durante os atendimentos. O líder religioso respondeu por 16 denúncias de crimes sexuais e mais dois processos: um por posse ilegal de arma de fogo e outro por relações de consumo, arquivado. Inicialmente condenado a quase 500 anos, hoje as penas dos crimes sexuais somam 211 anos e 1 mês de prisão.

Prisão domiciliar e indignação

Desde 2021, João de Deus cumpre prisão domiciliar em Anápolis, a cerca de 55 km de Goiânia, com a condição de não se aproximar de Abadiânia ou das vítimas. O Ministério Público tentou mantê-lo no presídio, mas devido à idade, ele obteve o benefício. “Isso traz indignação para as vítimas que confiaram no sistema”, disse o promotor Luciano Meireles. Ao todo, 67 vítimas compõem os processos, enquanto 121 tiveram a punibilidade extinta por decadência ou prescrição.

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Penas atuais por processo

  • 2019: Posse ilegal de arma: 1 ano de detenção, 3 anos de reclusão e 20 dias-multa (pena definitiva). Violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável: 16 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão (redução de 3 anos).
  • 2020: Estupro de vulnerável: 30 anos, 4 meses e 15 dias (redução de 9 anos, 7 meses e 15 dias). Estupro e estupro de vulnerável: 29 anos e 2 meses (redução de 15 anos e 4 meses).
  • 2021: Violação sexual mediante fraude: arquivado por decadência (pena anterior: 2 anos e 6 meses).
  • 2022: Dois processos: 13 anos e 9 meses (redução de 38 anos) e 22 anos e 6 meses (redução de 18 anos e 10 meses).
  • 2023: Seis processos: penas de 27 anos, 3 anos e 4 meses, 29 anos e 6 meses, 30 anos e 1 mês, 9 anos; dois arquivados por decadência; um cassado.
  • 2025: Estupro de vulnerável: em fase de alegações finais.

Total das penas em maio de 2026: 214 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão e 1 ano de detenção. A maioria ainda aguarda julgamento de recurso no STJ.

Denúncias e impacto

As denúncias começaram com o programa Conversa com Bial, da TV Globo, que exibiu entrevistas com 10 mulheres. Mais de 200 mulheres procuraram o MP. Os abusos ocorriam durante as “cirurgias espirituais” na Casa Dom Inácio, que permanece aberta, mas com movimento reduzido. Segundo o promotor Luciano Meireles, a maioria das vítimas tinha entre 25 e 30 anos. “Muitas levavam isso sozinhas por medo de serem acusadas ou perderem o marido”, destacou. O caso foi pioneiro no Brasil ao quebrar o silêncio de várias vítimas.

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