Delegado afirma que Monique sabia de agressões de Jairinho a Henry Borel
Delegado: Monique sabia de agressões a Henry Borel

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O delegado Henrique Damasceno, primeiro a depor no julgamento do caso Henry Borel, afirmou que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões cometidas por Jairinho contra o filho de 4 anos. Durante o depoimento, dado nesta terça-feira (25), no segundo dia do júri, o investigador relembrou três episódios de agressões levantados pela investigação que antecederam a morte da criança.

Videochamada reveladora

Em um dos episódios, Henry fez uma videochamada pelo celular da babá para Monique, que estava em um salão de beleza. Segundo o delegado, o menino disse à mãe: "o tio bateu", referindo-se a Jairinho. De acordo com Damasceno, o casal combinou versões e omitiu as agressões durante os depoimentos à polícia, seguindo orientações do então advogado.

Defesas negam agressões

As defesas de ambos os réus negam que o menino tenha sofrido agressões que o levaram à morte. Monique, segundo o delegado, descreveu uma rotina supostamente harmoniosa, afirmando que mantinha uma boa relação com Henry e Jairinho. Já Jairinho apresentou uma narrativa semelhante. No depoimento, disse que o relacionamento entre todos era perfeito, que o casal havia começado a morar junto no final de 2020 e confirmou a versão apresentada por Monique.

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Farsa ensaiada

"Foi uma farsa ensaiada", afirmou o delegado. "As versões apresentadas pelos dois eram compatíveis entre si, mas, no decorrer da investigação, mostraram-se fantasiosas, porque as provas indicavam que ambos sabiam que Henry vinha sendo agredido", acrescentou. Damasceno também afirmou que familiares teriam sido orientados antes dos depoimentos. "Até a mãe da Monique foi treinada antes de depor. Isso me chamou muito a atenção, porque tenho anos de experiência e sei que a morte de uma criança destrói uma família. Nessas horas, as pessoas querem saber a verdade, não ensaiar depoimentos", disse.

Investigação inicial

O delegado contou que, inicialmente, o caso foi tratado como um acidente doméstico, mas o avanço das investigações revelou outro cenário. A perícia no apartamento foi realizada no dia 8 de março, porém o local já havia sido alterado, porque uma empregada doméstica havia limpado o imóvel antes da chegada dos peritos.

A noite da morte

Damasceno relatou ainda como teria sido a noite da morte de Henry, segundo a investigação. O menino não queria sair da casa do pai e voltar para a casa da mãe, onde ela morava com Jairinho. Ele teria chegado a vomitar. Depois, já no apartamento, Monique teria dado banho na criança e afirmou não ter percebido qualquer marca, lesão ou reclamação de dor. Ela também disse que, por volta das 20h, tirou uma foto de Henry sorrindo, enviou ao pai do menino e o colocou para dormir às 21h.

Ainda segundo a versão apresentada por Monique, entre 21h e 1h50 do dia seguinte, Henry acordou pelo menos três vezes. Já de madrugada, ela contou que o encontrou desacordado e gelado, ao lado da cama. Monique afirmou ter acordado o menino e, junto com Jairinho, corrido para o hospital.

Laudos periciais

Os laudos periciais apontaram lesões graves nos rins, na cabeça e diversas equimoses pelo corpo. A reprodução simulada concluiu que os ferimentos eram incompatíveis com um acidente doméstico ou uma simples queda da cama. Para os investigadores, as evidências demonstram que Henry foi vítima de homicídio.

Tentativa de obstrução

O delegado afirmou ainda que, já no hospital, Jairinho telefonou para um executivo da rede hospitalar na tentativa de liberar o corpo sem encaminhamento ao Instituto Médico Legal. Segundo Damasceno, se isso fosse autorizado, dificultaria a investigação, já que o enterro seria feito sem perícia de cadáver.

Ainda nesta terça-feira (26), estão previstos os depoimentos de peritos e médicos-legistas.

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