O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, recebeu uma resposta oficial da Polícia Federal (PF) após cobrar explicações sobre um atraso na execução de uma nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação, que apura supostas fraudes no Banco Master, teve seus mandados de busca e apreensão cumpridos fora do prazo estipulado pelo magistrado, o que gerou críticas públicas.
O descontentamento do ministro do STF
O ponto de discórdia começou na segunda-feira, dia 12 de janeiro de 2026. Por volta das 14h52, o ministro Dias Toffoli autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados ao caso, estabelecendo um prazo claro: as diligências deveriam ser realizadas em até 24 horas, ou seja, até a terça-feira seguinte.
No entanto, a ação policial só foi deflagrada na quarta-feira, 14 de janeiro. Em um despacho, Toffoli não escondeu sua irritação. Ele afirmou que a Polícia Federal demonstrou uma "falta de empenho" e agiu com inércia, desobedecendo de forma "expressa e deliberada" a sua decisão judicial.
O ministro foi enfático ao responsabilizar a corporação por qualquer prejuízo à investigação, declarando que eventuais frustrações seriam de "inteira responsabilidade" da PF.
A justificativa da Polícia Federal
Horas após as críticas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviou um ofício ao gabinete de Toffoli nos autos do processo, que tramita em sigilo. A corporação optou por não se manifestar publicamente, respondendo apenas no âmbito judicial.
No documento, a Polícia Federal negou qualquer negligência e explicou que a nova fase da operação exigiu um planejamento logístico complexo. A justificativa apresentada foi a necessidade de um tempo maior do que o concedido para organizar as equipes e os detalhes operacionais da ação, que envolveu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados diferentes.
As diligências foram cumpridas nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o que, segundo a PF, demandou uma coordenação minuciosa para garantir a simultaneidade e a eficácia das buscas.
O conflito entre prazos judiciais e logística policial
O episódio joga luz sobre uma tensão comum no sistema de justiça criminal: o choque entre os prazos estabelecidos pela Justiça e o tempo necessário para o planejamento operacional das forças policiais.
Enquanto magistrados frequentemente determinam prazos curtos para preservar a elementar surpresa das operações, as polícias argumentam que ações de grande envergadura, como a Operação Compliance Zero, exigem dias ou até semanas de preparação logística. Essa preparação inclui a mobilização de agentes, a definição de rotas, a garantia de segurança e a coordenação entre diferentes unidades federativas.
A resposta da PF ao STF reforça esse argumento, alegando que o adiamento de um dia foi essencial para a execução adequada dos mandados, sem comprometer a investigação ou a segurança dos policiais envolvidos.
O caso segue em sigilo no Supremo Tribunal Federal, cabendo agora ao ministro Dias Toffoli analisar as justificativas apresentadas pela Polícia Federal e decidir se aceita os motivos para o atraso ou se mantém suas críticas à corporação. A operação continua em andamento para apurar as suspeitas de irregularidades no Banco Master.