Justiça suspende seis policiais militares que presenciaram execução de casal de mulheres no ES
Justiça suspende seis PMs que viram execução de casal no ES

Justiça determina suspensão de seis policiais militares que testemunharam execução de casal em Cariacica

A Justiça do Espírito Santo ordenou, nesta quinta-feira (16), a suspensão de seis policiais militares que estavam no local quando o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale executou um casal de mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. A medida foi tomada após pedido do Ministério Público do Estado (MPES), com o objetivo de assegurar o andamento das investigações sem obstáculos e preservar a ordem pública.

Detalhes da decisão e medidas cautelares

Os policiais, que já haviam sido afastados das ruas e deslocados para funções administrativas em 14 de abril, agora estão suspensos de todas as atividades. A decisão, da Vara da Auditoria Militar, também mantém a suspensão do porte de arma, medida que já estava em vigor. É importante ressaltar que o afastamento preliminar não implica corte de salário, uma penalidade que só pode ser aplicada em caso de condenação, após o pleno direito de defesa garantido pela Constituição.

Contexto do crime e envolvimento dos policiais

O crime ocorreu na noite de 8 de abril, quando Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, foram mortas a tiros pelo cabo do Vale. As vítimas eram vizinhas da ex-mulher do policial, e as três haviam se envolvido em um desentendimento pouco antes do incidente. Imagens de câmeras de segurança, que circularam recentemente, mostram que os seis policiais suspensos não reagiram nem tentaram impedir a ação do colega durante os disparos.

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Os nomes dos policiais suspensos são: Edson Luiz da Silva Verona (soldado), Eduardo Ferro Coradini (soldado), Filipe Gonçalves Vieira (soldado), Hilario Antônio Nunes (cabo), Lucas Nogueira Oliveira (aluno soldado) e Valfril do Carmo Carreiro (3º sargento).

Repercussões e posicionamentos oficiais

A repercussão do caso levou o governador do estado, Ricardo Ferraço (MDB), a se manifestar favorável ao afastamento dos policiais. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que os agentes não seguiram os protocolos da corporação, que exigem intervenção em crimes que atentam contra a vida, mesmo quando cometidos por colegas. “Ali, eles tinham que agir”, destacou Rubim em entrevista.

O Ministério Público argumentou que o caso apresenta circunstâncias excepcionais, envolvendo a apuração da conduta de agentes que presenciaram o crime sem adotar as providências esperadas. A permanência dos investigados em atividade poderia comprometer a apuração, segundo o MPES, que também solicitou a continuidade das investigações pela Corregedoria da Polícia Militar, incluindo perícias e oitivas de testemunhas.

Processos em andamento e situação do cabo do Vale

O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale foi autuado por duplo homicídio e está preso no Presídio Militar em Vitória, sem previsão de liberação. A Polícia Militar do Espírito Santo abriu um processo demissionário contra ele, com prazo de 20 dias para conclusão do inquérito militar, embora não haja precisão sobre o período para o processo demissionário. A Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) informou que o cabo não é associado e que ele seguiu com advogado particular após atendimento inicial.

Recapitulação do caso e motivações

Testemunhas relataram que a discussão que antecedeu o crime começou por causa de um ar-condicionado, com acusações de furto de energia entre as vítimas e a ex-esposa do policial. A ex-companheira do cabo ligou para ele após uma briga física, alegando agressões e envolvimento do filho autista do casal. O cabo, que atuava em função administrativa, deixou seu posto e foi ao local acompanhado dos outros policiais, resultando na execução das mulheres.

Este caso continua sob investigação, com a Justiça e autoridades enfatizando a necessidade de transparência e rigor na apuração para garantir justiça às vítimas e responsabilização dos envolvidos.

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