Filipe Toledo: 'Não sinto que preciso provar nada para ninguém'
Filipe Toledo: 'Não sinto que preciso provar nada'

Bicampeão mundial e um dos maiores nomes da nova geração do surfe brasileiro, Filipe Toledo, 31 anos, vive mais uma temporada de destaque no circuito da WSL. Após uma performance consistente em Gold Coast, na Austrália, o atleta celebrou não apenas o forte desempenho na etapa, mas também a marca de 100 baterias com altos somatórios ao longo da carreira — reflexo de mais de uma década entre a elite mundial.

Dono de um surfe explosivo e técnico, Filipe afirma, em entrevista à coluna GENTE, que a experiência adquirida após os títulos mundiais trouxe mais maturidade para lidar com a pressão das disputas decisivas. Fora d'água, o surfista também tem se dedicado a projetos sociais e ao desenvolvimento de novos talentos.

Como avalia sua performance em Gold Coast e na disputa pelo Mundial deste ano?

Fiquei muito satisfeito com a minha performance. Estava me sentindo muito bem, conectado com o local e consegui performar bem durante todo o evento. A torcida brasileira colou em peso e foi um incentivo a mais durante toda a etapa. Fiquei feliz também por ter conquistado o maior somatório do campeonato inteiro e alcançar a marca de 100 baterias com somatórios excelentes na minha carreira, o que mostra uma consistência muito grande ao longo dos anos. Claro que a gente sempre entra querendo vencer, mas, mesmo sem o título, foi um resultado positivo para seguir firme na disputa pelo mundial nesta temporada.

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O que muda na cabeça de um atleta que já conquistou títulos mundiais em momentos decisivos?

A experiência ajuda muito. Depois que conquista um título mundial, passa a entender melhor como lidar com cada momento da temporada, principalmente nas situações decisivas. Você aprende a controlar a mente, confiar no processo e valorizar cada bateria. Ao mesmo tempo, a vontade de vencer continua a mesma. O que muda é a maturidade para enfrentar desafios.

Ainda tem algo a provar dentro do surfe?

Sinceramente, não vejo dessa forma. Já são mais de 10 anos competindo na elite do surfe mundial, conquistando títulos, vitórias importantes e realizando sonhos que eu tinha desde criança. Claro que continuo extremamente competitivo e quero evoluir, ganhar campeonatos e buscar mais conquistas, mas não sinto que preciso provar nada para ninguém. Hoje, meu foco é continuar fazendo o que amo, surfando em alto nível e aproveitando cada momento da minha carreira.

Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Sem dúvida, foi o período em que enfrentei a depressão. Foi um momento muito difícil da minha vida e da carreira, porque entendi que a mente é tão importante quanto o físico para um atleta profissional. Precisei buscar ajuda profissional e também tive apoio fundamental da minha família, que esteve ao meu lado o tempo todo. Minha esposa, meus filhos, meus pais… todos foram importantes nesse processo. Foi um aprendizado sobre cuidado mental, equilíbrio e autoconhecimento.

O que representa para você ver o surfe feminino crescendo com nomes como Luana Silva?

Fico feliz com a evolução da Luana e também com o crescimento do Brasil no surfe feminino. É legal acompanhar de perto todo esse processo e ver uma brasileira chegando tão forte no topo do circuito pela primeira vez na história. Isso representa muito para o nosso esporte e inspira uma nova geração inteira de meninas. Estou torcendo por ela nessa temporada e acredito que ainda vamos ver o surfe feminino brasileiro crescer ainda mais nos próximos anos.

Quais projetos pessoais ou profissionais você pensa em desenvolver após o Mundial?

Mesmo ainda tendo muita lenha para queimar dentro do circuito mundial, já penso bastante no pós-carreira e venho trabalhando nisso há algum tempo. Tenho algumas empresas, projetos sociais e também iniciativas voltadas para a categoria de base do surfe. Quero continuar contribuindo para o esporte de alguma forma, ajudando a desenvolver novos talentos e criando oportunidades para a próxima geração.

Quem é o Filipe Toledo fora do mar?

Fora do mar, o que mais gosto é de estar junto da minha família. Sou muito apegado à minha esposa e aos meus três filhos, tento aproveitar ao máximo os momentos com eles. Também gosto bastante de estar com os amigos, assistir ao futebol, principalmente os jogos do Corinthians, e acompanhar MMA.

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Que conselho você daria para jovens brasileiros que sonham em chegar ao topo do surfe mundial?

Eu diria para nunca desistirem dos sonhos e entenderem que o caminho exige muita dedicação, disciplina e paciência. Nem tudo vai acontecer rápido e vão existir momentos difíceis, mas é importante continuar acreditando e trabalhando. Também acho fundamental cuidar da mente, ter boas pessoas ao seu lado e aproveitar o processo. Além de nunca deixar de estudar e ir à escola, que é fundamental na sua formação. O talento é importante, mas a consistência e a vontade de evoluir todos os dias fazem muita diferença no longo prazo.