PF pede prisão de vice-prefeito de Itaúna por corrupção na mineração
Vice-prefeito de Itaúna tem cargo extinto após fuga do país

A Polícia Federal solicitou a prisão do vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, do PL, envolvido em um esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais. Em resposta à sua ausência prolongada, a Câmara Municipal de Itaúna anunciou, na tarde desta sexta-feira (16), a extinção e vacância do cargo, declarando-o oficialmente vago.

Fuga antes da operação e ausência injustificada

O político deixou o Brasil em 15 de setembro de 2025, apenas dois dias antes da Polícia Federal deflagrar a Operação Rejeito. Desde então, ele não retornou ao país e permaneceu ausente de suas funções, sem qualquer autorização do Legislativo municipal. A Lei Orgânica de Itaúna estabelece que ausências superiores a 15 dias sem aval dos vereadores configuram abandono de cargo.

A decisão da Câmara foi tomada após o recebimento de uma Certidão de Movimentos Migratórios emitida pela PF, que confirmou a saída de Hidelbrando do território nacional e a falta de registro de seu retorno. Com base neste documento formal, os parlamentares aplicaram a medida prevista em lei.

Processo administrativo e suspensão de salário

A trajetória que levou à vacância do cargo foi marcada por várias etapas. Diante da ausência não comunicada, a Prefeitura de Itaúna suspendeu o pagamento do subsídio do vice-prefeito a partir de 1º de outubro de 2025. A administração municipal alegou que a viagem não tinha caráter oficial e que a falta inviabilizava o exercício das funções públicas.

Em outubro, partidos como PSOL e PT protocolaram um pedido de cassação do mandato, acusando Hidelbrando de abandono de função e danos à imagem pública. A Câmara então criou uma Comissão Processante para apurar o caso. Embora um mandado de segurança tenha conseguido suspender temporariamente o processo de cassação em dezembro, a comprovação da ausência prolongada pela PF foi decisiva para a extinção final do cargo.

O que diz a Prefeitura e os próximos passos

Em nota oficial, o Poder Executivo Municipal de Itaúna reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência. A administração destacou que a suspensão do pagamento foi uma medida cautelar e necessária, baseada no princípio da contraprestação, já que o agente político não estava exercendo suas funções. A gestão também ressaltou que o direito à defesa de Hidelbrando será respeitado.

O g1 não conseguiu estabelecer contato com a defesa do ex-vice-prefeito para obter uma posição sobre as acusações e a decisão da Câmara. A Operação Rejeito, que deu origem às investigações, continua apurando os detalhes do suposto esquema de corrupção de bilhões de reais no setor de mineração do estado.

Com a declaração de vacância, o cargo de vice-prefeito de Itaúna agora está formalmente aberto, cabendo aos trâmites legais e políticos definir como será preenchido nos termos da legislação municipal e eleitoral.