Presidente do Rioprevidência pede exoneração após operação da Polícia Federal
Deivis Marcon Antunes, presidente do Rioprevidência, fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio de Janeiro, solicitou sua exoneração do cargo nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. O pedido foi formalizado em ofício enviado ao governador Cláudio Castro, do Partido Liberal, e ocorre após a Polícia Federal realizar buscas em sua residência, localizada no bairro de Botafogo, na zona sul da capital fluminense.
Justificativa e contexto da decisão
No documento, Deivis Marcon Antunes argumentou que a decisão foi tomada para assegurar a transparência e a lisura das investigações que envolvem sua gestão à frente da autarquia. Ele enfatizou que repudia qualquer tentativa de caracterizar como ilegal os atos praticados durante seu mandato, afirmando ter sempre agido com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos.
O presidente do Rioprevidência também expressou gratidão ao governador Cláudio Castro pela confiança depositada e destacou o legado de uma instituição mais sólida e respeitada, conforme suas palavras no ofício. Além disso, ele se colocou à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Detalhes da operação da Polícia Federal
Na manhã do mesmo dia, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca na casa de Deivis Marcon Antunes, onde apreenderam documentos, um veículo e aproximadamente R$ 7 mil em dinheiro vivo. Os policiais tiveram que acionar um chaveiro para acessar o imóvel, que estava vazio no momento da operação.
Deivis Marcon Antunes encontra-se atualmente nos Estados Unidos, em uma viagem de férias que, segundo ele, estava programada desde novembro de 2025, com passagens emitidas naquela data. A PF também realizou buscas na sede do Rioprevidência e nos endereços de Euchério Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos da autarquia.
Investigação sobre aportes no Banco Master
A operação, batizada de Barco de Papel, foi autorizada pela 6.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e tem como foco apurar suspeitas de irregularidades em aportes realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. Durante a gestão de Deivis Marcon Antunes, iniciada em 2023, foram investidos cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do banco.
Segundo a Polícia Federal, essas operações expuseram o patrimônio da autarquia a um risco elevado e incompatível com sua finalidade, levantando indícios de gestão fraudulenta e corrupção. O inquérito teve início em novembro, a partir de uma auditoria do Ministério da Previdência Social, que identificou um crescimento incomum nos investimentos do Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro.
A fiscalização apontou uma mudança significativa no padrão de investimentos, capturada por métricas de risco e avaliação do comportamento de mercado. Os crimes investigados incluem:
- Associação criminosa
- Corrupção passiva
- Gestão fraudulenta
- Desvio de recursos
- Induzir em erro repartição pública
- Fraude à fiscalização ou ao investidor
- Crimes contra o sistema financeiro nacional
Posicionamento do Rioprevidência
Em nota oficial, o Rioprevidência afirmou que todos os investimentos realizados observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle. A autarquia reiterou que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações.
Vale ressaltar que, nesta fase, a Polícia Federal cumpriu apenas mandados de busca, sem ordens de prisão ou medidas cautelares contra Deivis Marcon Antunes ou outros envolvidos. O caso continua sob análise, com expectativa de novos desdobramentos conforme avançam as apurações.