PF investiga Rodrigo Bacellar por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a frigorífico no RJ
PF investiga Bacellar por lavagem ligada a frigorífico no RJ

Polícia Federal abre inquérito para investigar Rodrigo Bacellar por suspeita de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal solicitou formalmente a abertura de um inquérito para investigar o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, do União Brasil, por fortes indícios de lavagem de dinheiro. A decisão judicial ocorreu após a perícia técnica realizada nos celulares apreendidos com o parlamentar apontar evidências concretas de que ele seria um sócio oculto do Frigorífico Grandbull, localizado na cidade de Campos dos Goytacazes, na região Norte Fluminense do estado.

Mensagens apreendidas revelam vínculos ocultos com o empreendimento

As suspeitas contra Bacellar surgiram durante a minuciosa análise dos aparelhos celulares que foram apreendidos no momento de sua prisão, dentro da investigação que apura o vazamento de informações sigilosas de uma operação policial direcionada contra a facção criminosa Comando Vermelho. Segundo os investigadores da Polícia Federal, diversas conversas recuperadas nos dispositivos eletrônicos indicam uma atuação oculta e relevante do deputado estadual no frigorífico, um empreendimento de grande porte que possui capital social declarado superior a cinco milhões de reais e uma estrutura física equivalente a seis campos de futebol oficial.

Embora o proprietário formal registrado do Frigorífico Grandbull seja o advogado Jansens Calil Siqueira, as mensagens trocadas entre os dois sugerem um relacionamento muito mais profundo e estratégico. Em uma das comunicações analisadas pela força-tarefa, Jansens escreve para Bacellar: "Amigo, bom dia! Vou fazer um churrasco sábado aí em casa. Se puder, almoce com a gente. Vou chamar o principal cliente do frigorífico. Queria muito lhe conhecer". Para os peritos federais, o teor dessa e de outras mensagens demonstra claramente que Rodrigo Bacellar teria um papel fundamental na empresa, atuando possivelmente como articulador político nos bastidores ou mesmo como um investidor não declarado.

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Pedidos de ajuda financeira e evolução patrimonial suspeita

Em novembro do ano passado, outra mensagem enviada por Jansens Calil Siqueira chamou a atenção dos investigadores. O advogado escreveu: "Estou precisando de um valor considerável para fazer a desossa aqui no frigorífico. Haveria possibilidade de sua ajuda? Forte abraço, irmão. Estamos juntos, sempre". De acordo com o relatório oficial da Polícia Federal, essa comunicação indicaria que o empresário recorria regularmente a Bacellar quando havia necessidade urgente de aportes financeiros significativos para a operação do negócio.

A investigação também descobriu que, no dia 6 de setembro de 2025, o deputado afastado encaminhou diretamente ao advogado o Parecer de número 4636928 do Ministério Público, um documento oficial que tratava especificamente de atos de improbidade administrativa e mencionava expressamente a possível participação de Bacellar como sócio oculto na empresa frigorífica. Além disso, a Polícia Federal pretende apurar com profundidade se Rodrigo Bacellar utilizou sua influência política para facilitar a concessão de um empréstimo milionário pela Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) ao Frigorífico Grandbull.

Patrimônio cresceu quase dez vezes em período eleitoral

Outro aspecto que despertou forte suspeita dos investigadores foi a evolução patrimonial absolutamente incomum de Rodrigo Bacellar. Conforme os dados oficiais declarados à Justiça Eleitoral, o patrimônio total do parlamentar saltou de apenas 85 mil reais, no ano de 2018, para impressionantes 793 mil reais, em 2022, representando um aumento de quase dez vezes entre um processo eleitoral e outro. A Polícia Federal afirmou, em seu relatório, que o patrimônio real de Bacellar pode ser consideravelmente maior do que o valor declarado publicamente e considera existirem fortes indícios de incompatibilidade com seus rendimentos lícitos conhecidos.

Estão sob análise detalhada dos peritos, além do frigorífico em Campos dos Goytacazes:

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  • Uma mansão de alto padrão localizada na cidade serrana de Teresópolis;
  • Um terreno extenso de 70 mil metros quadrados na região de Campos dos Goytacazes;
  • Dois apartamentos luxuosos e de alto padrão, um no bairro de Copacabana e outro no Leme, ambos na capital fluminense.

Investigação anterior foi arquivada, mas novas provas emergiram

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro já havia aberto uma investigação anterior para apurar a relação de Rodrigo Bacellar com o Frigorífico Grandbull, porém esse inquérito específico foi arquivado pelo Conselho Superior do Ministério Público. Agora, com as novas e robustas provas extraídas diretamente dos celulares apreendidos, a Polícia Federal decidiu abrir um novo procedimento investigativo criminal para apurar com rigor possível lavagem de dinheiro e ocultação deliberada de patrimônio.

Defesa de Bacellar nega veementemente todas as acusações

Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou com veemência que "após uma ação açodada e arbitrária da autoridade policial, com graves falhas processuais, fica nítida a tentativa de criar novos fatos, também rasos, com novas ilações, como imputar ao deputado imóveis e negócios que nunca foram dele". Os advogados acrescentaram que "além de sem amparo na realidade, a autoridade policial tenta oficializar prática expressamente proibida - a pesca probatória". A reportagem também procurou o advogado Jansens Calil Siqueira e a direção do Frigorífico Grandbull para obter posicionamentos, mas não houve resposta até o momento da última atualização desta matéria.