Michelle Bolsonaro esclarece ausência em manifestação bolsonarista após procedimento cirúrgico
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, para explicar publicamente a razão de sua ausência na grande manifestação bolsonarista que ocorreu no domingo anterior, dia 1º, na icônica Avenida Paulista, em São Paulo. Em um texto publicado em seu perfil oficial no Instagram, ela revelou ter passado por um procedimento cirúrgico na última sexta-feira, 27 de fevereiro, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre a natureza da intervenção médica.
Justificativa pública e repercussão política
"Esclarecendo a informação prestada pela deputada Bia Kicis durante os atos de ontem: passei por um procedimento cirúrgico na última sexta-feira. Está tudo bem e, salvo algumas restrições, sigo com minhas atividades normais. Obrigada pela preocupação, pelo carinho e pelas orações", afirmou Michelle Bolsonaro em sua publicação. A declaração veio após a deputada federal Bia Kicis, do PL do Distrito Federal, ter mencionado a ausência da ex-primeira-dama durante o evento político.
Esta justificativa, no entanto, não impediu que a falta de Michelle no ato levantasse sérios questionamentos sobre a coesão e unidade do campo bolsonarista em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, à Presidência da República. A situação política se mostra particularmente delicada, pois a manifestação também registrou a ausência notável do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
Contexto político e tensões internas
No próprio dia da manifestação, o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, divulgou uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro defendendo tanto a si mesmo quanto a ex-primeira-dama dos ataques que têm sofrido dentro do próprio campo político de direita. Na correspondência, havia cobranças explícitas para que ambos se engajassem com mais ênfase e vigor em prol da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Especificamente sobre Michelle, o ex-presidente esclareceu que havia pedido pessoalmente a ela para não se envolver ativamente com questões políticas até o mês de março. Além disso, Jair Bolsonaro justificou que, no momento atual, sua esposa estaria prioritariamente ocupada com os cuidados direcionados a ele próprio e à filha do casal, Laura, o que limitaria sua disponibilidade para compromissos políticos de grande porte.
Outras ausências significativas e cenário político complexo
A assessoria do governador Tarcísio de Freitas informou que sua ausência no ato da Avenida Paulista ocorreu porque ele estava em viagem oficial à Alemanha, cumprindo uma agenda de compromissos previamente estabelecidos. Curiosamente, na sexta-feira anterior ao evento, 27 de fevereiro, após participar de uma homenagem ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na Assembleia Legislativa de São Paulo, Tarcísio havia anunciado publicamente que assumiria o cargo de coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no estado de São Paulo.
Este cenário político é ainda mais complexo devido aos embates internos registrados dentro da direita bolsonarista em relação ao governador paulista. Parte expressiva do Centrão, bloco político de centro, tentou viabilizar e promover o nome de Tarcísio de Freitas como uma alternativa viável na disputa pela Presidência da República, o que naturalmente gera atritos e tensões com os setores mais alinhados à família Bolsonaro.
A justificativa médica apresentada por Michelle Bolsonaro, portanto, insere-se em um contexto político amplo e multifacetado, onde cada movimento e ausência são analisados minuciosamente como indicadores da força e da unidade do campo bolsonarista na preparação para as próximas eleições presidenciais. As restrições pós-cirúrgicas mencionadas pela ex-primeira-dama, embora não detalhadas, servem como explicação formal para sua não participação, mas não dissipam completamente as dúvidas sobre o alinhamento político dentro dessa importante frente da direita brasileira.



