Coaf identifica repasses de R$ 27,2 milhões do Banco Master para site de ex-senador
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou uma movimentação financeira considerada suspeita envolvendo o Banco Master e o site de notícias Metrópoles, comandado pelo ex-senador Luiz Estevão. Segundo documentos do órgão de controle, o banco repassou R$ 27,2 milhões à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA entre 2024 e 2025.
Pagamentos classificados como 'inusitados' e com destinação questionável
O relatório do Coaf destaca que os valores recebidos do Master foram objeto de "débito imediato" pelo Metrópoles, sendo transferidos para outras empresas ligadas à família de Luiz Estevão. Entre as beneficiárias estão a Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A, todas com participação do ex-senador ou de suas filhas no quadro societário.
O documento aponta que essa operação "pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros" e classifica os aportes do Master como "inusitados". Além disso, registra uma movimentação do Metrópoles "incompatível com o faturamento médio mensal" do veículo.
Ex-senador atribui pagamentos a patrocínio da Série D do Brasileirão
Questionado sobre os repasses, Luiz Estevão afirmou que os valores correspondem ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Banco Master, para a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025 realizada pelo Metrópoles. O acordo também incluía a venda dos naming rights da competição, que passou a ser chamada de "Brasileirão Série D Will Bank".
No entanto, as transmissões só começaram a exibir a logomarca do Will Bank três meses após o início do campeonato, em julho de 2025. Já os repasses do Master ao Metrópoles haviam começado em janeiro do mesmo ano, levantando questionamentos sobre a cronologia dos pagamentos.
Contexto turbulento do Banco Master em 2025
O período das transferências coincidiu com uma fase crítica para o Banco Master. Em março de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro tentou vender a instituição ao BRB, mas acabou alvo de investigações por suspeita de fraude financeira bilionária. Em novembro do mesmo ano, o banco foi liquidado pelo Banco Central, e Vorcaro encontra-se preso.
De acordo com o Coaf, o Master apareceu como "principal remetente" de recursos ao Metrópoles durante 2025, com pagamentos que chegaram a R$ 5,7 milhões em determinadas transações. As comunicações ao órgão de controle foram feitas pela Caixa Econômica Federal, que alertou para "indícios de movimentação de recursos em benefício de terceiros e movimentação com pessoas expostas politicamente".
Defesa de Luiz Estevão sobre o uso dos recursos
O ex-senador negou qualquer irregularidade nas operações financeiras e afirmou que os valores negociados com o Master não foram superdimensionados. "O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber", declarou Luiz Estevão.
Sobre as transferências para empresas da família, ele foi enfático: "O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser".
Operadores do mercado de futebol consultados pela reportagem destacaram que a Série D geralmente não é rentável para quem exibe o torneio, com histórico de poucos interessados na competição. Esta foi a primeira vez que a Série D, organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), teve os direitos sobre o nome comercializados.



